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Beleza circular: o que as marcas já podem fazer para deixar para trás o pensamento linear

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Somente uma visão 360º, da extração de recursos ao pós-consumo, é que tornará possível colocar em prática a circularidade

Por Estela Mendonça

Na economia circular, o desenvolvimento econômico está atrelado ao melhor uso dos recursos naturais sob uma visão 360º, desde a criação de um produto, sua produção, comercialização, consumo e destinação pós-consumo até seu retorno à cadeia de abastecimento, completando um ideal círculo completo.

Embora pareça desafiador, por meio da economia circular, é possível melhorar vários processos, inclusive gerando novas oportunidades de negócios.  “A mudança no nosso modelo econômico poluidor e excludente para um baseado na circularidade tem sido cada vez mais considerado e posto em prática, por diferentes atores sociais como empresas, governo e cidadãos”, observa Edson Grandisoli, mestre em Ecologia, doutor em Educação e Sustentabilidade pela USP, pós-doutor pelo Programa Cidades Globais (IEA-USP) e coordenador pedagógico do Movimento Circular, um ecossistema colaborativo criado para incentivar a transição para a economia circular.

Edson Grandisoli, coordenador pedagógico do Movimento Circular

Grandisoli explica que, atualmente, o modelo econômico mais conhecido é a economia linear, com uma cadeia que se baseia na extração de recursos naturais, produção e descarte de produtos, o que o torna cada vez mais insustentável. “Já a economia circular propõe um novo olhar para nossa forma de produzir, consumir e descartar, a fim de otimizarmos os recursos do planeta e gerar cada vez menos resíduos. Uma das metas é manter os materiais por mais tempo em circulação, por meio do reaproveitamento, até que nada vire lixo. É um verdadeiro círculo colaborativo, que alimenta a si mesmo e ajuda a regenerar o planeta e nossas relações”.

Na avaliação do especialista, a indústria de cosméticos pode se tornar protagonista na criação de modelos de negócio mais circulares, com a importância da exploração controlada e sustentável de organismos, como algas, por exemplo, por fornecerem substâncias necessárias para a fabricação de diferentes produtos. “Preservar o capital natural é parte indissociável de uma economia mais circular”.

Na cadeia de produção, Grandisoli cita como exemplo que as práticas que visem à redução dos desperdícios e reutilização da água também podem ser implementadas. O design das embalagens e sua composição também são pontos importantes. “Elas devem ser pensadas de tal forma a permitir e facilitar seu reaproveitamento ou reciclagem no pós-consumo. E, por fim, o consumidor tem sempre papel fundamental na economia circular. Escolher produtos mais amigáveis socioambientalmente, fabricados por empresas com sólidas e comprovadas práticas em ESG são escolhas que favorecem toda a cadeia produtiva, de consumo e de descarte”.

Pioneira em circularidade

“A preocupação com a circularidade é um tema presente há décadas na Natura”, afirma Roseli Mello, líder global de Pesquisa e Desenvolvimento, lembrando que a empresa foi a primeira marca de cosméticos do Brasil a adotar os refis em seus produtos, ainda em 1983.

Roseli destaca que as iniciativas para as cadeias de reciclagem, como o Programa Natura Elos, configuram a responsabilidade compartilhada com os fornecedores de embalagens, cooperativas, recicladores e fabricantes, e que, desde 2017, a empresa colabora para garantir a rastreabilidade, a homologação e a logística reversa em todos os seus fornecedores de materiais reciclados.

Roseli Melo, líder global de Pesquisa e Desenvolvimento da Natura

“Para decidirmos por um fornecedor de material reciclado, entendemos toda a procedência da coleta de resíduos, em quais condições foram feitas e como foram transformados em matéria-prima reciclada. O programa não consiste somente em transparência, mas, sim, na transferência de conhecimento técnico e instrumental para que todos os elos da cadeia se profissionalizem”, diz Roseli. A empresa também criou o programa de logística reversa nas lojas Natura espalhadas pelo Brasil e, desde o início em agosto de 2020, já foram coletadas 20 toneladas de embalagens que receberam descarte adequado através da iniciativa.

A executiva cita ainda como exemplo de circularidade as embalagens de Kaiak, em que os chamados “ombros” das fragrâncias, maior peça plástica das embalagens, são feitas de plástico reciclado retirado do litoral brasileiro. Além disso, os frascos também são produzidos com até 30% de vidro reciclado e  utilizam álcool 100% orgânico, assim como todas as fragrâncias da Natura.

“Além disso, temos a Biome, nossa primeira linha de beleza e cuidados pessoais em barra, que possui embalagens zero plástico, feitas de papel reciclado e reciclável pós-consumo”, conta Roseli, explicando que, internamente, esses produtos são protegidos por filme celulósico biodegradável, obtido a partir de fontes renováveis e compostáveis. A linha também oferece um suporte exclusivo para itens em barra, produzido a partir de uma tecnologia inédita que captura gás metano e o transforma em bioresina, tornando um gás potencialmente nocivo ao meio ambiente em material compostável e biodegradável.

Retorno para a indústria

Beatriz Branco, gerente de branding e sustentabilidade da Weleda Brasil, reforça a urgente necessidade da circularidade: “A forma linear de desenvolvimento de produto não cabe mais no nosso planeta. Já trabalhamos com fórmulas naturais e limpas que não poluem o meio ambiente, mas também precisamos garantir que as embalagens tenham algum uso ou retorno para indústria, e não terminem em um aterro”. Priorizar o uso de materiais reciclados, buscar opções compostáveis e que não sejam de origem fóssil estão nas prioridades de desenvolvimento da companhia. “Hoje, 45% do volume de embalagens que usamos já são de origem reciclada e queremos chegar a 65% em 2022”.

Beatriz Branco, gerente de branding e sustentabilidade da Weleda Brasil

Um exemplo de lançamento recente da Weleda é a manteiga corporal Skin Food, um hidratante multifuncional vegano e com ingredientes 100% naturais extraídos de forma sustentável. O produto está alinhado à economia circular, segundo Beatriz, também devido a sua embalagem de vidro, feita com 85% de material reciclado. Após o uso, o consumidor pode optar pelo descarte correto para a reciclagem de vidro ou reutilizá-la criando novas funções, como pote para velas, porta-joias e porta-ecopads.

Estação de refil

Com uma gama de produtos de cuidados com os cabelos, pele e de oral care, a Ahoaloe, fundada em 2016, usa como base a aloe vera orgânica de sua plantação, às margens da Represa do Jaguari, na Serra do Lopo, em Minas Gerais. Às formulações também foram incorporados compostos da biodiversidade amazônica. Larissa Pessoa, sócia fundadora da marca, afirma que todo o processo de criação e desenvolvimento de seus produtos é realizado com tecnologias sustentáveis.

Larissa Pessoa, sócia fundadora da Ahoaloe

Segundo Larissa, as garrafas de shampoos, condicionadores e frascos de 120 ml são compostos de PET reciclado e biodegradável, não residual ou intoxicante ao meio ambiente durante a decomposição. “Esse material constituidor das embalagens recebe o complemento de uma enzima pró-degradante derivada do óleo de coco da palmeira, que permanece no plástico até que seja reativado por moléculas de água no solo”, explica.

Outra iniciativa da marca é a estação de refil a granel, onde os clientes poderão usar suas embalagens vazias de produtos Ahoaloe, higienizadas e secas para o envase da linha Neutra. Com a estação refil, a marca pretende reduzir em 20% o uso de embalagens e geração de resíduos de tudo que é vendido na loja, em São Paulo.

“O que fundamenta as nossas ações é um ditado nativo que diz que nossa existência deve ser de tal maneira a permitir a existência das próximas sete gerações. A sustentabilidade de ponta a ponta é o principal pilar da Ahoaloe, desde a escolha dos ingredientes, embalagens e cadeia de distribuição”, completa Larissa.

Desodorantes livres de plástico

A B.O.B (Bars Over Bottles) lançou quatro opções de desodorantes com fórmulas limpas, veganas, sem alumínio e  100% livres de plástico. As fórmulas são naturais, hipoalergênicas, dermatologicamente testadas e unem tecnologia de proteção e cuidado para cada tipo de pele. Um dos grandes objetivos da marca é oferecer uma linha completa de produtos de cuidado pessoal para transformar o banheiro em um local livre de plástico. “O portfólio da B.O.B, que começou com a introdução de shampoos e condicionadores em barra no Brasil, já conta com diversos produtos complementares, como barra de limpeza facial, máscaras capilares, linha kids e sabonete íntimo. Agora, os desodorantes chegam para compor esse conceito do banheiro zero plástico”, destaca a cofundadora da marca Andreia Quercia.

Sobras de cacau

A marca Baianí de chocolates bean to bar lançou uma linha de cosméticos para aproveitar 100% da cadeia do cacau. O projeto surgiu a partir das sobras de manteiga de cacau resultantes do processo de produção e que seriam descartadas. A linha Baianí Belê é composta inicialmente por hidratante corporal de cacau com óleo essencial de laranja e sabonete esfoliante de cacau com  café e essência de cravo.

Novo posicionamento

A L’Occitane en Provence, marca referência na criação de cosméticos que valorizam ingredientes de origem natural, acaba de apresentar seu novo  posicionamento com a campanha  Cultivators of Change, que apresenta os propósitos e missões para a marca:  regenerar a biodiversidade, reduzir o desperdício, proteger os clientes, dar suporte aos produtores e alavancar fundos para ajudar projetos e promover acessibilidade a todos. O rebranding tem como objetivo modificar diversas áreas de atuação, reciclando e reduzindo cada vez mais seu impacto ambiental.

Uso integral da cana-de-açúcar

“A economia circular se baseia no conceito de que qualquer material ou produto não deve ser desperdiçado, mas sim reutilizado ou reciclado. Dessa forma, numa economia plenamente circular não haveria geração de resíduos. Como filosofia, separa o crescimento econômico do consumo de recursos e promove um modelo de crescimento regenerativo que devolve ao planeta mais do que lhe é retirado”, contextualiza Vera Tonon head de Life & Personal Care da Dinaco, acrescentando que, ambientalmente, é um modelo que viabiliza o desenvolvimento econômico, ao mesmo tempo em que respeita e protege o meio ambiente.

Vera cita como referência de economia circular na indústria cosmética a californiana Aprinnova, líder no desenvolvimento de ingredientes derivados da cana-de-açúcar, um recurso altamente renovável e sustentável, distribuída com exclusividade pela Dinaco no Brasil. O exemplo mais conhecido é o best seller de mercado Neossance™ Squalane, uma alternativa 100% natural ao silicone. O ingrediente multifuncional é derivado da fermentação da cana-de-açúcar, cujo cultivo no Brasil não requer irrigação e representa o mais elevado nível de biomassa por hectare entre todas as fontes de açúcar.

Vera Tonon head de Life & Personal Care da Dinaco

Além disso, os resíduos da produção do Neossance™ Squalane são convertidos em eletricidade para alimentar a planta de fabricação e a comunidade local, sendo que o processo de fermentação de cana-de-açúcar gera significativamente menos gases de efeito estufa, em comparação com os similares produzidos a partir de petróleo. “O processo produtivo é cuidado em todas as etapas e conta com a certificação Bonsucro para o cultivo de cana rastreável, ético, transparente, seguro e socialmente e ambientalmente responsável”, destaca Vera.

Em 2020, a Aprinnova lançou a Biosilica™, uma sílica 100% biogênica criada a partir das cinzas do bagaço da cana-de-açúcar queimado para geração de energia. O produto, segundo Vera, é uma alternativa sustentável e com melhor desempenho à sílica tradicional, extraída da areia, um recurso limitado e de intensa exploração no planeta, que requer um consumo significativo de energia e emite grandes quantidades de CO2. Além disso, a Biosilica™ é uma excelente alternativa aos microplásticos.

Utilização de 100% do gengibre

“Muitos vêm explorando a economia circular como um novo modelo de negócios, mas como conectá-la ao negócio da empresa?”, provoca Cristiane de Moraes, responsável global pela operação da Symrise Amazon e pela unidade de negócios Botanicals&Colors para a América Latina, observando que são muitas as motivações que contribuem para que o tema esteja em pauta, principalmente no diz respeito ao aumento de consumo dos recursos naturais e à geração de resíduos que, além de representarem altos custos econômicos, configuram fortes impactos socioambientais.

Cristiane reforça que o modelo circular tem sido apontado como fundamental para o alcance das metas de desenvolvimento sustentável de grandes empresas, não só na gestão de seus recursos, mas também na sua forma de inovar por meio de seu portfólio.

Cristiane de Moraes, responsável global pela operação da Symrise Amazon

Para isso, Cristiane ressalta que é importante ter em mente algumas ações que impulsionam a empresa nesse sentido, como revisar os modelos lineares de produção, promover a otimização de recursos e desenvolver novas relações de produção, considerando o resíduo de um determinado setor como matéria-prima de qualidade para outro. “Enfim, promover uma evolução do portfólio para níveis diferenciados numa visão de 360º, na qual diversos fatores são essenciais para o sucesso da operação, desde a criação do produto até a sua utilização e disposição final”.

Há anos, a Symrise vem desenvolvendo um portfólio com base na gestão de recursos e tem o upcycling como base para o desenvolvimento de seu portfólio, como uma coleção de óleos provenientes de extratos derivados de upcycling, com testes de eficácia que conferem diferentes características, agregando real valor ao produto.

Um exemplo é o conceito de “Totum approach of Ginger”, que implica na utilização de 100% do gengibre. Júlio Bombonati, gerente de marketing para a América Latina, conta que em Madagascar, a Symrise desenvolveu um sistema de apoio às pequenas comunidades agrícolas de baunilha e de gengibre, aplicando as melhores práticas, desde o fair trade até a educação e apoio às crianças e mulheres locais.

Júlio Bombonati, gerente de marketing para a América Latina da Symrise

“O gengibre da Symrise respeita todas as premissas da economia circular e boas práticas de sustentabilidade”, garante Bombonati. A partir dele são gerados diversos produtos. O primeiro foi o SymVita® MADA, um extrato padronizado obtido por extração de CO2 supercrítica, que promove benefícios antirrugas, antimachas e antipoluição e repara os danos causados pelo sol em apenas duas semanas.

O resíduo dessa extração dá origem ao SymVital® Ginfuse, um “essencial oil like”. “Trata-se de um coproduto do processo de obtenção do primeiro ingrediente para ser usado como fragrância e como ativo para pele, rico em propriedades antioxidantes e ação calmante para pele”, explica Bombonati.

Upcycling de alga

Riédi Nogueira, gerente de marketing técnico na Innovasell Fine Ingredients & Actives, conta que o upcycling está presente em diversos ingredientes da companhia, destacando os ativos fabricados pela CODIF Naturelle, empresa francesa medalha de ouro da Ecovadis e plenamente comprometida com a sustentabilidade, que criou a ferramenta interna “Good for the Planet” para monitorar não apenas a fonte de obtenção, mas também o consumo de água, energia e resíduos gerados durante a produção dos ativos.

Riédi Nogueira, gerente de marketing técnico na Innovasell Fine Ingredients & Actives

Um exemplo de upcycling nos ingredientes CODIF, segundo Riédi, é a produção do Wakapamp: de sua alga de origem, a Undaria pinnatifida, somente são utilizadas as bases férteis, enquanto as partes superiores, subprodutos da colheita, são destinadas à indústria alimentícia. Seu cultivo e colheita são feitos inteiramente a mão, em uma área privada com qualidade da água monitorada, que permite obter matéria-prima de qualidade exemplar, com certificação orgânica Cosmos.

“Além de um ingrediente ‘Good for the Planet’, Wakapamp definitivamente é ‘Good for the Skin’, já que apresenta um poder hidratante transformador capaz de elevar os níveis de hidratação de uma pele seca a níveis ainda melhores do que de uma pele normal, em tempo recorde, apenas 4 horas após uma única aplicação”. Riédi acrescenta que, quando usado nos lábios, promove a expressão de proteínas da matriz extracelular, aumentando seu volume e redefinindo seu desenho a partir de 14 dias de uso.

O upcycling também é característica dos produtos da Innovasell que são obtidos a partir do arroz (Oryza sativa). Utilizando os resíduos que seriam descartados pela indústria alimentícia, a Micro Powders transforma o farelo da casca de arroz em cera micronizada que dá origem a partículas esfoliantes e modificadores de sensorial, com diferentes propriedades e todos biodegradáveis em água doce. “Um deles, o Naturesoft 860S, por exemplo, que age como booster de FPS em formulações desenvolvidas com filtros orgânicos e inorgânicos, ao mesmo tempo em que proporciona efeito soft focus, alta absorção de óleo e melhor performance de produtos compactados”, afirma Riédi.

A gerente destaca que, além da rastreabilidade de toda a cadeia produtiva, em 2022, a Micro Powders aderiu ao Pacto Global da ONU, uma iniciativa voluntária baseada nos compromissos da empresa de implementar princípios universais de direitos humanos, trabalho, meio ambiente e anticorrupção, além de adotar ações que promovam metas de desenvolvimento sustentável.

Resíduos da lavanda

“Em um mundo onde as preocupações ambientais não param de aumentar, estratégias sustentáveis devem ser encontradas para reduzir o impacto ao meio ambiente”, alerta Hoda Nahas, gerente regional de vendas Latam da IFF Lucas Meyer Cosmetics, que cita a coleção Wastar™ que, apoiando a beleza ecoconsciente, foi desenvolvida valorizando os resíduos de lavanda e pink berry remanescentes após a extração de compostos olfativos naturais pela tecnologia LMR Naturals by IFF.

Hoda destaca que a produção responde perfeitamente à tendência de upcycling, ao promover abastecimento sustentável de ingredientes reciclados altamente eficazes a partir resíduos da indústria de fragrâncias, reduzindo o impacto do processo de fabricação no meio ambiente

Hoda Nahas, gerente regional de vendas Latam da IFF Lucas Meyer

“Agora cientes do impacto da poluição do ar interno na pele, os consumidores estão em busca de cosméticos que protejam a pele dos poluentes aos quais estão expostos quando ficam em casa”, afirma Hoda, que explica que, clinicamente testado, Wastar™ Lavender protege a pele contra a poluição indoor para promover uma luminosidade saudável da pele. Já o Wastar™ Pink Berry suaviza a irritação do couro cabeludo causada pelo uso de hijab ou capacete para recuperar um couro cabeludo saudável.

Rico em polifenóis, o Wastar™ Lavender foi desenvolvido para proteger a pele contra os poluentes emitidos pela poluição indoor. O seu impacto na pele foi recentemente destacado devido ao tempo prolongado que as pessoas têm passado em casa. “O uso de uma técnica in vivo inovadora permitiu a avaliação da ação protetora de Wastar™ Lavender na pele de voluntários expostos a poluentes internos, conferindo aumento da luminosidade e glow saudável da pele”, explica a executiva. .

Por sua vez, o Wastar™ Pink Berry, rico em biflavonóides, foi desenvolvido para acalmar o couro cabeludo irritado. “O impacto das causas físicas veio à tona recentemente, principalmente no caso de pessoas que ficam com a cabeça coberta por longos períodos, criando uma atmosfera ‘confinada’ para o couro cabeludo, além do atrito gerado”. Clinicamente testado em voluntários que frequentemente usam hijab ou capacete, o Wastar™ Pink Berry minimizou a vermelhidão, diminuiu a coceira e reduziu o aparecimento de escamas em apenas 7 dias (imagem).

O Wastar™ Pink Berry recebeu dois prêmios recentemente: Gold o Award de Melhor Ingrediente na in-cosmetics Global e o BSB Innovation Awards, na categoria “Produtos Naturais/Matérias-Primas”.

Subproduto da indústria de papel

“A escassez de recursos naturais é uma preocupação global, que vem sendo fortemente discutida como um dos pilares da sustentabilidade. O conceito do reaproveitamento abraça, inclusive, a indústria dos cosméticos”, avalia Thiago Duccini, gerente de marketing e de produtos de cuidados dos cabelos da Chemyunion, que acredita que o tema perdurará no futuro dos cuidados pessoais com iniciativas que agreguem valor com o desenvolvimento de formulações com ingredientes mais amigáveis ao meio ambiente.

Duccini cita como exemplo os cosméticos concentrados, as embalagens reutilizáveis, as matérias-primas com alta naturalidade e o uso de tecnologias menos nocivas. “A beleza circular é uma dessas tendências que apostam na segurança e no desbloqueio do valor do desperdício desses recursos usados ou inutilizáveis, mudando o estigma do ‘lixo’ para o realce da beleza natural”.

Thiago Duccini, gerente de marketing e de produtos de cuidados dos cabelos da Chemyunion

O executivo ressalta que ingredientes de beleza reciclados foram fundamentais para mitigar o impacto dos problemas da cadeia de suprimentos durante o pico da pandemia, “Isso implicou na escassez de estoque para 63% dos varejistas, fazendo com que empresas de grande porte cortassem as previsões de vendas para 2022”, afirma, lembrando que o uso de subprodutos de outras indústrias tem provado ser uma estratégia viável, principalmente quando os ingredientes podem ser adquiridos nas proximidades dos centros de fabricação.

Visando a um futuro cada vez consciente e que valorize os recursos naturais, a Chemyunion desenvolveu o Allinea, um ativo 100% biodegradável, com 95% NOC (Natural Origin Content), criado para o realinhamento temporário das fibras capilares, proporcionando redução do volume e do frizz dos cabelos. Trata-se de uma associação de ingredientes que conta com o reaproveitamento de um subproduto da indústria de papel, caracterizado como um biopolímero proveniente de fonte vegetal renovável, a lignina.

Sem toxicidade para o consumidor e para o meio ambiente, Allinea oferece até 24 horas de proteção contra o efeito da umidade, reduzindo em até 58,6% do volume dos cabelos, permitindo a flexibilidade do penteado ou até mesmo prolongando o efeito liso de procedimentos mais definitivos. Duccini destaca que os testes realizados em salão demonstram que o Allinea aplicado em um leave-in com 5%, somado à ação térmica de secador e chapinha, entrega controle avançado do frizz por até 24 horas, com redução de até 30 vezes, podendo oferecer, ainda, alinhamento progressivo dos cabelos.

Águas de frutas e flores

Luciana Ferra, coordenadora técnica de personal care para a América do Sul e Central da Gattefossé, reconhecendo que o movimento da beleza circular está levando as formulações cosméticas para horizontes mais sustentáveis, destaca que a linha Original Extracts™, da Gattefossé, é um exemplo que se encaixa perfeitamente no conceito: “Seu processo produtivo envolve uma fabricação sustentável, integrada em uma cadeia produtiva criada para garantir o menor desperdício possível”.

A linha Original Extracts™, criada para repensar o uso da água na criação de produtos cosméticos, segundo Luciana, foi desenhada para substituir parcial ou totalmente a água nas formulações cosméticas. Obtidas diretamente de frutas, plantas ou flores, as águas contêm quantidades equilibradas de oligoelementos, minerais e óleos essenciais. São também extraídas usando tecnologias específicas, sem solventes ou contato com a água externa, preservando sua pureza e naturalidade.

Luciana Ferra, coordenadora técnica de personal care da Gattefossé

A Gattefossé utiliza três técnicas industriais, que variam de acordo com o tipo de planta, que possibilitam a captura de água vegetal rica em nutrientes: extração direta sob altas frequências, extração por desidratação e extração usando destilação flash.

Na extração por destilação flash (imagem), a água é coletada durante a etapa de concentração da produção de suco de frutas. “Os compostos termossensíveis, como óleos essenciais, são preservados porque a água não é mantida em contato com o calor por mais de alguns segundos. A água de frutas que seria um resíduo da indústria alimentícia, da origem à matéria-prima cosmética, explica Luciana. “As águas da linha Original Extracts™ são referência de upcycling e estão no portfólio da Gattefossé há mais de uma década, o que demonstra seu pioneirismo na concepção ecológica de seus produtos”.

A linha Original Extracts™ possui 14 referências, sendo cinco delas certificadas orgânicas. Além disso, testes in vitro, que estão disponíveis para consulta, demonstram a atividade natural de algumas águas em comparação à água destilada comumente usada em formulações cosméticas. Todas as informações sobre a linha podem ser obtidas no site da Gattefossé.

Ativos de subprodutos

Para Tassia Araujo, consultora técnica de inovação aplicada da área Cosmetic Solutions & Active Ingredients Latam da Evonik, a recuperação de fluxos de resíduos é um passo eficaz para reduzir o impacto ambiental.  “Ingredientes reciclados e uso de subprodutos de outras cadeias de matérias-primas são o próximo passo em eficiência ecológica”, aposta, destacando que, com o upcycling, há uma redução dos insumos de recursos naturais para desenvolver tanto o produto original quanto o subproduto, em vez de dobrar os insumos de recursos para desenvolver cada componente de forma independente.

Além disso, após o uso, o produto residual não é mais destinado ao aterro, em vez disso, está a caminho de servir como matéria-prima para um produto novo e mais valioso. “Trata-se de um processo crítico para desacelerar e interromper o crescimento de vários milhões de toneladas de resíduos gerados a cada ano e a transição para uma economia circular sem desperdício”, afirma Tassia.

Tassia Araujo, consultora técnica de inovação aplicada da área Cosmetic Solutions & Active Ingredients da Evonik

A especialista cita como exemplo o TEGO® Natural Citrus, da Evonik, que utiliza subprodutos da indústria alimentícia para a extração do seu princípio ativo, a luteolina, um poderoso antioxidante que contribui para uma pele mais radiante e harmonizada como mostram resultados de recentes desenvolvimentos tecnológicos. Do resíduo de cascas de tangerina é extraída a luteolina e outros produtos naturais para criar um extrato de alta qualidade, com indicação para reduzir a inflamação da pele e tratar a hiperpigmentação.

Outra solução citada por Tassia é o TEGO® Natural Betaine, um derivado natural de aminoácidos (trimetilglicina), produzido a partir do melaço de beterraba, um subproduto do processo de produção de açúcar. “O insumo tem alto teor de betaína que, após a extração, tem propriedades hidratantes e forte capacidade de ligação à água, garantindo a retenção de umidade da pele. Além disso, atua como osmoprotetor celular”, explica, ressaltando que ele pode ser usado em todos os tipos de aplicações cosméticas, tanto para limpeza, quanto para cuidados com o corpo e rosto, em produtos enxaguáveis ou não, como xampus, sabonetes líquidos, produtos infantis, cremes e loções hidratantes, loções pós-barba, desodorantes, géis cremosos e outros.

Para saber mais sobre esses e outros ingredientes ativos recicláveis obtidos de fontes secundárias de outros processos industriais, a Evonik oferece a ferramenta digital CAREtain®, disponível em seu portal intoBeauty®, que permite filtrar o portfólio de acordo com as categorias de ativos e os critérios relevantes para a sustentabilidade e exportar os resultados no formato PDF. “Essa ferramenta cria transparência e propicia aos clientes um instrumento para que desenvolvam seus próprios produtos com otimização ecológica e eficiência de recursos”, completa Tassia.

Elastômeros sustentáveis

“A Elkem acaba de receber a máxima nota em sustentabilidade ‘Platinum Top 1%’, da EcoVadis, um dos mais reconhecidos fornecedores de avaliação de sustentabilidade no mundo, como reconhecimento pelo seu trabalho em desenvolver economia circular em parceria com pesquisadores e clientes”, comemora Luziano Fróes, suporte técnico em home e personal care Latam da Elkem.

Especificamente na área cosmética, a conquista, segundo Fróes, é resultado de processos de baixo consumo energético de fontes renováveis e uso de biomassa como agente redutor e meta de neutralidade de carbono até 2050, desenvolvendo também produtos com desenho “eco”, fase na qual é definido até 80% do impacto ambiental futuro.

Luziano Fróes, suporte técnico em home e personal care Latam da Elkem

Fróes também destaca a reciclagem de matérias-primas e de seus resíduos, com o aproveitamento de subprodutos como, por exemplo, a microsílica. A renovação de seus produtos é outro ponto destacado. “Oferecemos a nossos clientes a possibilidade de usar produtos ecologicamente responsáveis, como a linha de géis de elastômero de silicone PURESIL™ ORG, com veículo C13-15 alcano, derivado de cana-de-açúcar sustentável e índice de naturalidade de 0,80 (ISO 16128)”.

A linha PURESIL™ ORG é indicada para produtos cosméticos com efeito emoliente, aspecto mate, toque aveludado e soft focus, graças ao pequeno tamanho de partícula e melhor cobertura.  Sua multifuncionalidade permite ao formulador desenvolver produtos com absorção de sebo e a customização de texturas, sendo espessantes da fase oleosa e também de emulsões água em silicone ou água em óleo, enriquecendo a experiência sensorial do consumidor final.

O especialista da Elkem explica que o PURESIL™ ORG 01 (C13-15 Alkane (and) Dimethicone/Vinyl Dimethicone Crosspolymer) fornece um brilho natural e uma alta espalhabilidade e também reforça o fator de proteção solar. Já o PURESIL™ ORG 02 (C13-15 Alkane (and) Dimethicone/Vinyl Dimethicone Crosspolymer (and) Silica) intensifica o efeito de absorção de sebo e de agente espessante.

Os dois produtos receberam o Prêmio de Inovação Tecnológica Ringier. “Com nossos clientes, podemos trabalhar juntos para melhorar as atuais e também desenvolvermos novas soluções”, afirma Fróes.

Ativos biofuncionais

A Ashland, que já é signatária do Pacto Global das Nações Unidas e que vem intensificando suas práticas em torno da agenda ESG da empresa com diferentes iniciativas, também está envolvida em projetos colaborativos para contribuir com as Metas de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. “Inovar considerando a sustentabilidade faz parte de nossa estratégia, cultura e operações e temos a EcoVadis nos auxiliando a engajar nossos fornecedores em torno desses objetivos”, conta Liliana Brenner, diretora de marketing de Care Specialties da Ashland.

Liliana explica que a linha Ashland de ativos biofuncionais considera a circularidade há mais de 50 anos, com a implantação de sua primeira fábrica, nos anos de 1960, próxima de uma indústria de alimentos para aproveitamento de seus resíduos. Atualmente, a companhia utiliza 1/3 de matéria-prima originada das indústrias de fragrâncias, agricultura ou alimentos na produção de ativos.

Liliana Brenner, diretora de marketing de Care Specialties da Ashland

Um exemplo recente é o lançamento do ativo Santalwood™ Biofunctional extraído do Santalum album, que é obtido de forma sustentável na Austrália a partir de cavacos de madeira reciclada. Ele foi inspirado na terapia das florestas e desenvolvido com a ajuda da inteligência artificial, trazendo uma nova abordagem para o envelhecimento saudável e regeneração da barreira da pele, através dos receptores olfativos OR2AT4, que representam a assinatura olfativa da pele.

“Sabemos que a pele é uma região com alta atividade metabólica e com produção de VOCs (S-VOCs), como o nonanal, que aumenta muito depois dos 40 anos, deixando a pele com uma assinatura olfativa do envelhecimento nem sempre agradável. Santalwood™ biofuncional, desenvolvido com o auxílio da IA e captura de F-VOCs do sândalo, estimula os receptores olfativos da pele, que diminuem com a idade e a poluição do ar, aumentando a saúde e longevidade celular da pele”, explica Liliana.

Estudos ex vivo revelam aumento da longevidade e redução da senescência celular, além da regeneração da barreira cutânea com o aumento da síntese da ceramida sintase e filagrina em pele seca, tão comum nas peles mais maduras.

Já estudos clínicos mostram um aumento na firmeza e elasticidade da pele, redução de manchas escurecidas, redução da vermelhidão, aumento na luminosidade e homogeneidade e redução de rugas, o que transforma a pele opaca e sem vida em vibrante e luminosa, de acordo com a executiva. Santalwood™ também tem atividade folículo capilar, segundo estudo clínico realizado com voluntários com alopecia moderada.

Outros ativos da Ahsland derivados da economia circular são produzidos a partir de sementes de baobá, colza, maçã e pera, além de resíduos do arroz e folhas do pauchouli, da oliva e da árvore de pimenta rosa, entre outros.

Financiando a circularidade

Reconhecendo a necessidade de fomentar soluções de economia circular, a L’Oréal anunciou em abril a criação do Fundo de Inovação Circular. Como investidor âncora, a empresa investirá 50 milhões de euros para o fundo de 150 milhões de euros. Operado por Demeter e Cycle Capital, empresas pioneiras e líderes de gestão de capital com foco em tecnologia limpa, o fundo também irá se beneficiar de uma ampla gama de investidores.

O Brasil ainda não foi incluído no Fundo de Inovação Circular, que irá apoiar startups e companhias na América do Norte, Europa e Ásia, que estão desenvolvendo o uso circular de recursos em diferentes setores, incluindo novos materiais da bioeconomia, soluções circulares de embalagem, reciclagem e lixo, logística e processos ecoeficientes.  “Acreditamos que o investimento de impacto é uma das maneiras pelas quais podemos contribuir para estimular a inovação no espaço da economia circular como parte do programa L’Oréal Para o Futuro”, disse Christophe Babule, vice-presidente executivo e diretor financeiro da L’Oréal, no lançamento da iniciativa.

Impacto do custo de vida

Um grande desafio é prever até que ponto o do custo de vida afetará o apoio do consumidor a práticas sustentáveis. A Kantar recentemente realizou uma pesquisa em amostras representativas nacionalmente em nove grandes mercados, analisando o comportamento do consumidor relacionado à sustentabilidade, a lacuna entre expressão de apoio e ação na economia de hoje, bem como o equilíbrio entre implicações financeiras e investimentos no futuro.

A pesquisa mostrou que 64% das pessoas em todo o mundo querem fazer mais e ser mais conscientes do planeta e do meio ambiente, mas o custo de vida as impede de fazê-lo. Um dado importante é que o Brasil lidera esse sentimento, com 75% das manifestações (veja quadro).

Ética na beleza

A Beautystreams convocou um grupo de renomados especialistas globais em diversas áreas, como sociopolítica, inovação digital, medicina, tecnologia, arte, sociologia e sustentabilidade, por seus pontos de vista únicos sobre o futuro e por meio de uma metodologia própria para analisar e prever como esses insights, reunidos no relatório CosmoTrends Future View 2022-2027,  afetarão o setor de beleza.

Entre os insights levantados, observa que demandas por um comportamento ético impecável continuarão a ganhar importância e aponta recomendações ao mercado:

• Leve em consideração o impacto ecológico total de um produto, incluindo a pegada de carbono, pegada hídrica, uso de energias renováveis, etc.

• Calcule a equação pessoas-planeta-lucro: apoie as comunidades a continuar a se desenvolver economicamente, valorizando o meio ambiente.

• Invista em soluções de embalagens recarregáveis, reutilizáveis e 100% recicláveis.

• Concentre-se na verdadeira inovação do produto em vez de seguir todas as tendências da moda.

“Os consumidores vão valorizar empresas que não pressionam pelo consumismo excessivo, que têm objetivos claros de economia circular e que se engajam em ações restaurativas para reparar “pecados” ecológicos passados”, afirma o relatório.

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