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Setor de vendas diretas deve faturar R$ 46 bilhões em 2020

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Faturamento acumula alta de 8% em cinco anos

O setor de vendas diretas — incluindo a comercialização pela web e as tradicionais — vem chamando a atenção pelo crescimento. Em 2020, deve faturar R$ 46 bilhões, perto de 2,5% acima de 2019, diz a consultoria paulistana DirectBiz, focada em vendas diretas.

Embora ainda longe da expansão anual de dois dígitos típica de antes da crise de 2014, é mais uma prova da vitalidade do setor, cujo faturamento acumula alta de 8% em cinco anos — mais que o dobro da economia brasileira no período.

A crise não bateu no porta a porta,  diz Marcelo Alves, sócio da DirectBiz, para quem os investimentos em tecnologia ampliaram a competitividade das vendas em relação a outros meios como franquias ou o e-commerce.

Quem já tem tradição em vendas diretas aproveitou os últimos anos para ganhar eficiência com a tecnologia. Dona de uma rede de 1,1 milhão de revendedoras no Brasil, a fabricante de produtos de beleza Natura criou em 2011 uma plataforma virtual à disposição de suas revendedoras. Hoje, 80% das consultoras usam ferramentas digitais, diz Luciano Abrantes, diretor de tecnologia da Natura.

Segundo a empresa, a tecnologia aumentou em 15% a produtividade das revendedoras, que agora perdem menos tempo em tarefas como despachar pedidos à matriz ou controlar o fluxo de entregas.

 Ao que tudo indica, o perfil de quem chegou agora em nada lembra o do porta a porta tradicional. É o caso da fabricante de cosméticos Mahogany, um negócio com receitas anuais ao redor de R$ 150 milhões. No início de 2018, a empresa estreou nas vendas diretas com um “escritório virtual” em que as revendedoras resolvem burocracias como mandar pedidos à sede, em Osasco (SP), ou baixar versões digitais dos catálogos de produtos. Nos próximos meses, a ideia é colocar no ar um sistema para clientes e revendedoras fecharem negócios pelo WhatsApp. “A venda direta por revistinha não funciona mais num mundo digital”,  diz Darlene Alves, gestora na Mahogany.

Os investimentos em inovação nas vendas diretas abriram as portas para negócios tipicamente digitais. Um exemplo é a Wavy, projeto dos mesmos sócios do aplicativo de comida iFood, que é voltado a softwares de inteligência artificial para automatizar o contato de empresa e cliente. Nos últimos três anos, os desenvolvedores da Wavy criaram um robô virtual chamado Bela para automatizar a relação da gigante de cosméticos Avon com 1,3 milhão de revendedoras espalhadas pelo Brasil.

“Pela tecnologia, a revendedora pode conversar com o robô nas redes sociais da Avon para resolver tudo; antes precisava ligar para um call center”, diz Juliana Frediano, gerente da Wavy, citando a emissão de segunda via de boletos ou o pagamento das encomendas feitas pelas revendedoras.

Com tanta tecnologia, fica a pergunta: até quando haverá espaço para os humanos no porta a porta? Por ora, o volume de empregos no setor segue em 4 milhões, o mesmo patamar de antes da crise.

“A venda direta é, por excelência, um comércio feito à base de relacionamento”, diz Adriana Colloca, presidente da ABEVD, associação de empresas do setor, que inclusive teme a falta de mão de obra nas empresas do porta a porta em razão da concorrência com aplicativos, como Uber, iFood e Rappi.

 

 

 

 

 

Fonte: O Globo 01.03.2020

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