Estudo aponta que metade das empresas participantes do projeto têm mulheres como CEOs e 80% contam com times femininos em comércio exterior, reforçando o papel da equidade de gênero na internacionalização do setor.
A presença feminina na liderança de empresas exportadoras de cosméticos, fragrâncias e produtos de higiene pessoal do Brasil tem se destacado como um dos pilares estratégicos do setor. Segundo levantamento do Beautycare Brazil — projeto setorial da ABIHPEC em parceria com a ApexBrasil —, 50% das empresas participantes contam com mulheres na presidência, enquanto 80% indicam que suas áreas de comércio exterior são majoritariamente compostas por profissionais do sexo feminino.
O avanço está alinhado com as diretrizes de equidade de gênero estabelecidas pela ApexBrasil, por meio do programa “Mulheres e Negócios Internacionais”, lançado em 2023. A iniciativa visa integrar a perspectiva de gênero ao desenvolvimento econômico e à expansão global das marcas brasileiras.
Letícia Mazzarino, CEO da Nanoscoping, é um exemplo desse protagonismo. Com uma equipe de exportação formada exclusivamente por mulheres, ela destaca a importância das ações promovidas pelo Beautycare Brazil para o fortalecimento da diversidade no setor. “Apesar de ser uma indústria tradicionalmente associada às mulheres, ainda enfrentamos desafios para garantir igualdade em cargos estratégicos. A atuação do projeto nesse sentido impulsiona a inovação, a competitividade e o alinhamento com os valores sociais contemporâneos”, afirma.
Na Philozon, Letícia Philippi reforça essa perspectiva. A CEO implementa políticas internas de equidade com foco na meritocracia e na igualdade de oportunidades. Para ela, os projetos setoriais têm papel crucial em corrigir desigualdades históricas e promover ambientes mais inclusivos. “Mulheres em cargos de decisão enriquecem o debate e fomentam a inovação com visões mais plurais.”
Vanessa Holmo, da ProSalon Cosméticos, compartilha sua experiência ao enfrentar resistência de fornecedores e parceiros do sexo masculino, e como a articulação internacional entre empresárias, fomentada pela ApexBrasil, tem sido essencial para ampliar redes de apoio e cooperação. “Essas conexões são fundamentais para fortalecer negócios liderados por mulheres e promover impacto social.”
Já Mariana Cyrillo, da Bielus Ingredientes, aponta para um desequilíbrio ainda presente nos espaços de representação. “Eventos técnicos da indústria seguem sendo dominados por homens, mesmo quando o foco está em produtos voltados majoritariamente ao público feminino. Precisamos ampliar a escuta e dar voz a quem realmente conhece essas demandas”, afirma.
Carolina Essayag, da Mundial SA, e Leia Bretzke, da Granatum, destacam que o desenvolvimento profissional deve ser pautado por competências técnicas e de gestão, independentemente do gênero, mas reconhecem a importância de valorizar ambientes que promovam a equidade como base de competitividade e sustentabilidade para o setor.
Com esses dados e relatos, o Beautycare Brazil reafirma seu papel não apenas como catalisador da internacionalização da indústria brasileira, mas também como agente de transformação social — refletindo um mercado cada vez mais atento à diversidade e à representatividade.