Amber Garrison detalha estratégia de fragrâncias da Revlon para 2027, com novos licenciamentos, formatos e experiências
A Revlon está ampliando sua estratégia no mercado de fragrâncias a partir de um modelo que combina licenciamento, parcerias com celebridades, inovação em formatos e experiências de marca. Para 2027, a companhia prepara uma nova etapa dessa expansão, com projetos envolvendo Champion, Palm Angels e Salt Life, ao mesmo tempo em que acompanha mudanças no comportamento dos consumidores e nas formas de descoberta e uso dos perfumes.
Segundo Amber Garrison, presidente da Elizabeth Arden e da divisão de fragrâncias da Revlon, o mercado passa por uma transformação na relação entre consumidores e perfumes. A tradicional ideia de uma única fragrância assinatura perde espaço para coleções compostas por diferentes aromas, escolhidos de acordo com o humor, a ocasião ou o estilo pessoal.
Esse comportamento também favorece práticas como layering e combinação de fragrâncias em diferentes formatos. As composições gourmand permanecem relevantes, mas passam por constantes releituras para acompanhar mudanças de preferências e estilos de vida.
Para a Revlon, esse cenário abre espaço para posicionar a perfumaria em diferentes territórios culturais. A estratégia envolve marcas e personalidades ligadas à música, moda, esporte e lifestyle, com o objetivo de desenvolver produtos capazes de dialogar com comunidades específicas e ampliar as possibilidades de interação com a categoria.
Licenciamento ganha espaço na estratégia
Um dos exemplos recentes dessa abordagem foi a estreia de Ice Spice no segmento com a fragrância In Ha Mood. O lançamento foi acompanhado por uma ação realizada em parceria com a Ulta Beauty no TikTok, com participação da artista em uma transmissão ao vivo.
A iniciativa representa uma mudança na maneira como a companhia pretende trabalhar a descoberta de fragrâncias. Mais do que priorizar parceiros com grande alcance, a Revlon busca nomes e marcas que já mantenham vínculos com comunidades e territórios culturais definidos.
Essa estratégia ganhará novos capítulos em 2027. A Champion fará sua entrada no mercado de fragrâncias por meio de um acordo global de licenciamento com a Revlon. O projeto prevê perfumes masculinos e femininos inspirados na identidade esportiva da marca.
A Palm Angels será outra frente do portfólio. A companhia pretende explorar o posicionamento da grife entre o luxo e a cultura urbana para desenvolver sua proposta olfativa.
Já a parceria com a Salt Life buscará transportar para a perfumaria elementos associados ao estilo de vida costeiro, com conceitos relacionados à liberdade, ao ambiente aquático e ao otimismo.
A estratégia parte da avaliação de que a decisão de compra de perfumes está cada vez mais relacionada não apenas ao aroma, mas também à identificação do consumidor com marcas, estilos de vida e comunidades.
Elizabeth Arden retoma lançamentos de fragrâncias
Paralelamente à expansão dos licenciamentos, a Revlon também está movimentando marcas consolidadas de seu portfólio. A Elizabeth Arden lançou Eternal Aura, seu primeiro perfume emblemático em oito anos e um produto que marca uma nova etapa para a marca na categoria.
A fragrância foi desenvolvida a partir da relação entre perfumaria e bem-estar. Segundo Garrison, a proposta considera que o perfume deixou de desempenhar apenas uma função olfativa e passou a integrar momentos de autocuidado e expressão individual.
A atriz Leighton Meester foi escolhida como rosto da campanha. A comunicação procura associar Eternal Aura a conceitos como confiança, resiliência, transformação e à multiplicidade de papéis desempenhados pela mulher contemporânea.
O lançamento também recupera a trajetória da Elizabeth Arden na perfumaria, construída ao longo de mais de nove décadas, ao mesmo tempo em que busca atualizar sua presença diante das novas expectativas do consumidor.
Experiência deve orientar próxima fase da perfumaria
Para os próximos anos, a Revlon projeta uma categoria cada vez mais baseada em experiências. Conteúdo produzido por criadores, social commerce, varejo imersivo e ativações culturais devem ganhar importância na jornada de descoberta e compra.
A personalização também tende a continuar influenciando o desenvolvimento de produtos. Perfumes associados a destinos, culturas, ingredientes ou estados de espírito podem ampliar as possibilidades de conexão emocional e permitir que consumidores utilizem fragrâncias como extensão da própria identidade.
Outro movimento está relacionado aos formatos. Sprays de viagem, miniaturas, perfumes sólidos e acessórios começam a ampliar as ocasiões de uso e tornam a categoria mais portátil e integrada à rotina.
Nesse cenário, a estratégia da Revlon para 2027 combina desenvolvimento de produtos, licenciamento e construção de experiências ao redor das fragrâncias. A companhia pretende utilizar essas frentes para estabelecer vínculos com os consumidores antes mesmo do contato com o perfume, transformando cultura, comunidade e identidade de marca em elementos centrais de sua atuação na categoria.


