Abuse Is Not Love passa a abordar rastreamento de localização, exigência de senhas e monitoramento constante como formas de controle em relacionamentos.
A YSL Beauty ampliou seu programa global Abuse Is Not Love para incluir ações de conscientização sobre a violência por parceiro íntimo facilitada pela tecnologia, conhecida pela sigla TFIPV. A nova etapa da iniciativa busca chamar atenção para comportamentos digitais que podem ser interpretados como demonstrações de cuidado ou afeto, mas que, em determinados contextos, funcionam como mecanismos de vigilância, intimidação e controle coercitivo.
A expansão é acompanhada por um novo estudo desenvolvido pela marca do Grupo L’Oréal em colaboração com a psicóloga Dra. Nina Jane Patel. Intitulado Abuse Is Not Love: Failure to Recognise Technology Facilitated Intimate Partner Violence, o relatório analisa como a rápida digitalização das relações, a normalização de hábitos de vigilância e o avanço de ferramentas de inteligência artificial estão tornando mais complexa a identificação de comportamentos abusivos, principalmente entre os jovens.
Entre as práticas abordadas estão o rastreamento constante da localização do parceiro, exigência de senhas, monitoramento de mensagens e atividades online, cobranças excessivas por respostas e controle sobre conteúdos publicados nas redes sociais. Segundo dados divulgados pela YSL Beauty, a violência por parceiro íntimo facilitada pela tecnologia registrou crescimento global de 62% nos últimos anos.
A atualização também leva para o ambiente digital os nove sinais de alerta trabalhados pelo Abuse Is Not Love. O programa aborda comportamentos relacionados a ignorar deliberadamente, chantagear, humilhar, manipular, demonstrar ciúme controlador, controlar, invadir a privacidade, isolar e intimidar. No universo online, esses sinais podem aparecer em situações aparentemente cotidianas, como exigir acesso ao celular, determinar quem o parceiro pode seguir, controlar publicações ou solicitar aprovação de fotografias antes que sejam compartilhadas.
A inteligência artificial também passou a integrar a discussão. O estudo chama atenção para novas possibilidades de abuso relacionadas ao uso de tecnologias digitais, incluindo a manipulação de imagens por inteligência artificial e outras ferramentas que podem ampliar formas de coerção e vigilância dentro dos relacionamentos.
Criado em 2020, o Abuse Is Not Love é o programa global da YSL Beauty dedicado à prevenção da violência por parceiro íntimo. A iniciativa reúne ações educativas, pesquisas e parcerias com organizações locais, além de treinamentos destinados a ampliar o reconhecimento dos primeiros sinais de relacionamentos abusivos. No Reino Unido, por exemplo, a marca mantém parceria com a organização Women’s Aid England.
A atenção aos jovens ocupa posição central nessa nova etapa. O programa trabalha especialmente com a faixa dos 16 aos 24 anos, período em que as relações pessoais estão cada vez mais integradas a smartphones, aplicativos de mensagens e redes sociais. A proposta é fornecer referências mais claras para diferenciar interações baseadas em confiança de comportamentos digitais associados ao controle.
Conforme destacado pela Cosmetics Business, a ampliação do Abuse Is Not Love reforça a atuação da YSL Beauty em torno de uma iniciativa social de longo prazo e atualiza o programa diante das transformações provocadas pela tecnologia nas relações pessoais. A nova abordagem coloca comportamentos digitais no centro da discussão e amplia o alcance de um projeto que a marca desenvolve globalmente há seis anos.


