Pesquisa mostra avanço do investimento em tratamentos, produtos para uso doméstico e suplementos, reforçando a integração entre beleza e bem-estar.
Os consumidores americanos estão destinando uma parcela significativa de seus gastos às rotinas de beleza e autocuidado. Uma pesquisa da Self Financial, fintech sediada no Texas, aponta que a manutenção profissional de beleza representa, em média, US$ 6.052 por ano, enquanto as rotinas realizadas em casa podem alcançar US$ 6.430 anuais.
O levantamento foi realizado entre fevereiro e março de 2026 com 1.079 adultos americanos de diferentes perfis. Para chegar aos valores anuais, a pesquisa considerou o custo médio de cada sessão e a frequência mais comum dos tratamentos profissionais ou realizados em casa, normalizando posteriormente os resultados para um período de 12 meses.
Os dados mostram que os gastos permanecem relativamente estáveis para uma parcela expressiva dos consumidores, mas há sinais de expansão. Metade dos entrevistados, 50,2%, afirmou não ter alterado suas despesas com beleza nos últimos cinco anos. Entre os demais, 21,8% aumentaram os gastos, enquanto 18,3% reduziram.
Entre aqueles que passaram a desembolsar mais, 29,5% atribuíram o aumento ao encarecimento dos tratamentos e produtos. Outros 22,3% apontaram uma maior atenção ao autocuidado e ao bem-estar geral, reforçando uma aproximação entre beleza, saúde e qualidade de vida.
Rotinas domésticas mantêm investimentos elevados
Realizar os cuidados em casa não significa necessariamente reduzir o orçamento anual dedicado à beleza. Segundo a pesquisa, consumidores que optam predominantemente por alternativas domésticas desembolsam, em média, US$ 378 a mais por ano do que aqueles que recorrem à manutenção profissional considerada pelo levantamento.
Essa dinâmica também aparece na compra de cosméticos para uso doméstico. Entre as mulheres, 79,2% afirmaram gastar regularmente com skincare, cuidados corporais ou produtos para os cabelos, ante 59,5% dos homens. Cada compra representa, em média, US$ 196,73, e a frequência mais comum de reposição é de quatro a seis meses. O estudo estima um gasto anual médio de US$ 472,15 com produtos de beleza para uso em casa.
Os cuidados capilares mostram, por outro lado, como o consumidor transita entre serviços profissionais e soluções domésticas. Entre os participantes, 43% disseram cortar ou estilizar o cabelo em casa e 40,9% preferem recorrer a profissionais. Entre as mulheres que utilizam serviços profissionais, o gasto médio por sessão chega a US$ 124,27, ante US$ 66,87 entre os homens. Para quem realiza o procedimento em casa, a média cai para US$ 29,45.
A remoção de pelos corporais também representa uma parcela relevante do orçamento. Entre as mulheres, 71,9% afirmaram remover regularmente os pelos, seja em casa ou com serviços profissionais, em comparação com 57,6% dos homens. Para quem realiza a manutenção frequentemente em casa, o custo médio semanal chega a US$ 34, o equivalente a até US$ 1.753 ao ano.
Beleza se aproxima cada vez mais do bem-estar
O levantamento também avaliou categorias que extrapolam a manutenção cosmética tradicional. Mais da metade dos entrevistados, 57,9%, afirmou pagar regularmente por uma academia, enquanto o consumo de suplementos também apresentou presença significativa.
Entre as mulheres, 64,2% disseram utilizar regularmente suplementos relacionados à saúde e ao bem-estar, como colágeno, vitaminas direcionadas aos cabelos e unhas e proteínas em pó. Entre os homens, o percentual foi de 55,3%. A frequência de compra mais comum é mensal e o desembolso médio chega a US$ 86,31 por ocasião, alcançando US$ 100,27 entre as mulheres e US$ 69,32 entre os homens.
Somados, academia e suplementos representam, em média, US$ 2.357 por ano para os participantes. Embora o levantamento não contemple todas as despesas relacionadas à saúde, os números ajudam a mostrar como cuidados estéticos, atividade física, suplementação e bem-estar começam a compartilhar um mesmo espaço no orçamento do consumidor.
Os resultados também evidenciam oportunidades para o mercado cosmético, especialmente em skincare, haircare e body care. O peso das rotinas domésticas mostra um consumidor disposto a investir em produtos que permitam incorporar diferentes etapas de cuidado ao cotidiano, enquanto a maior atenção ao bem-estar favorece propostas que conectam beleza, prevenção, experiência e manutenção de longo prazo.
Nesse cenário, o avanço da longevidade como território de inovação na indústria da beleza encontra um consumidor que já demonstra disposição para investir de forma recorrente no próprio cuidado. Mais do que buscar intervenções pontuais, parte do público passa a distribuir seus gastos entre cosméticos, tratamentos, atividade física e suplementação, fortalecendo uma visão mais integrada de beleza e bem-estar.



