A marca passará por uma reestruturação de portfólio no primeiro semestre para reverter a queda de receita e reconquistar o consumidor da Geração Z, aproveitando seu potencial na venda direta.
A Avon passará por um processo de reestruturação estratégica e será relançada no Brasil no ano de 2026. O anúncio, feito por João Paulo Ferreira, CEO da Natura, ocorre em meio a uma queda na receita da Avon no país, que registrou um declínio de 17,3% no terceiro trimestre, reflexo da escassez de lançamentos e de um hiato entre o portfólio antigo e o novo em desenvolvimento.
Segundo Ferreira, a marca tem um posicionamento de preço mais baixo, o que seria importante em um contexto de consumo mais contraído. No entanto, o baixo “grau de prontidão” da marca exige um trabalho de fundo para o relançamento em 2026. A partir do próximo ano, a Avon deve adotar um modelo operacional mais ágil, focado em digitalização, inovação e revisão completa de todos os seus produtos.
Oportunidade de Reversão e Consumo Acessível
Analistas do setor veem na reestruturação uma oportunidade real de recuperação de vendas. Ana Paula Tozzi, da AGR Consultores, explica que a Avon, sem o peso do atraso na fusão com a Natura, deve melhorar sua performance no próximo ano.
O foco da marca em produtos mais acessíveis — um eixo de preço menor que o da Natura — é considerado uma estratégia inteligente. Roberto Kanter, consultor de negócios, destaca que produtos acessíveis geram volume, o que corrige a curva de receita. Para ter sucesso, a Avon precisa entregar qualidade dentro de um preço competitivo para recuperar a percepção de “boa compra” e expandir sua base.
Modernização e Conexão com a Geração Z
A reestruturação precisa ir além do preço, mirando o branding e a conexão com as novas gerações. A Avon, embora possua forte memória afetiva no Brasil, precisa se atualizar.
Os analistas sugerem que a reestruturação deve incluir:
Reposicionamento de Marca: Campanha mais moderna para reconquistar a Geração Z, que não possui tanta familiaridade com a Avon.
Pipeline de Lançamentos: Criação de um calendário consistente, com parcerias (collabs) e uso estratégico de influenciadores.
Integração Digital: Modernização da comunicação em plataformas online, sobretudo redes sociais, e melhoria na integração entre portfólio e canais de venda direta.
Kanter conclui que uma reestruturação bem feita, com um pipeline consistente de novidades e uma narrativa mais atual, tem potencial real para reverter a curva negativa da marca.