Rebrand da marca foca em tecnologia, inovação ágil e produtos de alto desempenho para público das classes C e D.
A Avon, parte do Grupo Natura, inicia uma reformulação abrangente de sua marca, unindo atualização da identidade visual, redução do portfólio e aceleração do desenvolvimento de novos produtos. A estratégia está alinhada a um foco renovado na mulher latina, hiperconectada, majoritariamente das classes C e D, que busca produtos de alta performance com bom custo-benefício.
A vice-presidente de marca, marketing e inovação da Natura e Avon, Tatiana Ponce, afirma que a Avon passa a se posicionar como uma plataforma tecnológica de beleza, incorporando o conceito de “femtech”. A marca busca integrar desenvolvimento de produtos, inovação e dados, tratando a beleza como tecnologia aplicada ao universo feminino.
Após a aquisição pela Natura em 2020, a Avon passou por um processo de integração gradual das operações, incluindo a unificação de áreas de vendas, suprimentos e inovação na América Latina, bem como a transferência do centro global de inovação para o Brasil. Em 2025, a integração da operação latino-americana foi concluída, enquanto a Avon International foi vendida, com exceção da Rússia.
O rebranding contempla um novo logotipo, desenvolvido internamente em parceria com empresas de design e comunicação, seguindo uma abordagem digital-first. Inspirado em elementos da programação e na figura de Ada Lovelace, o símbolo reforça o posicionamento da marca como uma empresa inovadora, que valoriza o poder feminino em uma linguagem moderna.
A reformulação também redefiniu a persona da marca, agora chamada de “Glow Getter”. A estratégia busca engajar o público jovem e estabelecer diálogo entre as gerações Alfa e Z e consumidores tradicionais da marca. Produtos e comunicação passam a refletir temas como autocuidado, funcionalidade e conveniência, acompanhando a consumidora em diferentes fases da vida.
Internamente, a Avon adotou times multidisciplinares, integrando pesquisa e desenvolvimento, marketing, finanças, suprimentos e vendas, o que reduziu o tempo de lançamento de produtos de 18 para quatro a seis meses em projetos de menor complexidade. Iniciativas mais disruptivas também seguem fluxos mais ágeis, como exemplificado pela coleção em colaboração com a cantora Ana Castela, concluída em cinco meses e com desempenho superior às metas.
A inovação passa a ser tratada como tecnologia aplicada em diversas categorias, conceito denominado “tecnologias navegáveis”. Um exemplo é a linha Power Stay, que expandiu sua atuação da maquiagem de longa duração para perfumaria, alcançando desempenho 180% acima das expectativas.
O plano estratégico prevê a eliminação de produtos de baixa margem e a concentração em itens de maior retorno, com expectativa de redução de 15% a 25% do portfólio até 2027. Além disso, cerca de 20 agentes de inteligência artificial foram incorporados à operação, otimizando análise de dados e curadoria de conteúdos para aumentar a agilidade das equipes.
A marca também busca integrar canais físicos e digitais, com presença em mais de 1.200 pontos de venda por meio de parceiros estratégicos, e expansão planejada para redes farmacêuticas até o final de 2026. Apesar dos desafios recentes, a Avon e a Natura continuam a ocupar posições de destaque no mercado brasileiro de beleza, enquanto novas concorrentes internacionais avançam no setor.