Cosméticos e cuidados pessoais se consolidam como itens essenciais no consumo escolar, refletindo mudanças culturais e estratégias das marcas.
As compras de volta às aulas, antes dominadas por papelaria e tecnologia, agora incluem com força os produtos de beleza. No Reino Unido, 14% dos consumidores afirmam sentir pressão para adquirir cosméticos durante a temporada de agosto, mês em que o varejo concentra o maior volume de vendas.
A tendência é impulsionada pela Geração Z e pela emergente Geração Alpha, que incorporam maquiagem e skincare à rotina escolar. O fenômeno apelidado de “Sephora Kids” nos Estados Unidos — adolescentes e pré-adolescentes que passam a ver corredores de beleza como parte da preparação para o retorno às aulas — já se reproduz no mercado britânico.
O setor responde com novas marcas e estratégias direcionadas a esse público. A Revolution Beauty, fundada por Adam Minto, lançou a Trouble Maker, linha com preços acessíveis e cerca de 300 produtos já disponíveis em 400 unidades da Superdrug. No skincare, a Indu, criada por especialistas do setor, firmou parceria com a Sephora UK, enquanto a norte-americana Bubble amplia presença na Boots com fórmulas acessíveis e dermatologicamente testadas.
Pesquisa do AliExpress reforça o novo comportamento: além de itens tradicionais como papelaria (33%) e tecnologia (22%), cosméticos como rímel e hidratantes aparecem entre os mais buscados pelos consumidores.
Segundo Bonnie Zhao, gerente-geral do AliExpress UK, a temporada gera entusiasmo, mas também pressão financeira nas famílias. Ainda assim, 42% dos consumidores afirmam não reduzir gastos e 23% planejam esperar períodos de desconto para aproveitar as ofertas.
Ao dividir espaço com mochilas e notebooks, os cosméticos se consolidam como parte do universo escolar, transformando tanto o consumo quanto a própria cultura de volta às aulas.