A Dior apresenta a coleção Dioriginals, composta por 13 fragrâncias históricas restauradas sob a direção de Francis Kurkdjian, diretor de criação de perfumes da maison desde 2021. O projeto, desenvolvido ao longo de quatro anos, recupera composições lançadas entre 1949 e 2003, utilizando tecnologias contemporâneas para aproximar as fragrâncias de suas formulações originais.
A iniciativa também retoma o frasco oval apresentado pela marca em 1948, utilizado em seus primeiros perfumes. A proposta reúne preservação do patrimônio olfativo, pesquisa de ingredientes e atualização técnica de composições que passaram por diferentes reformulações ao longo das décadas.
Restauração recupera características das fórmulas originais
O desenvolvimento da Dioriginals envolveu o estúdio criativo de perfumaria da Dior e uma análise das alterações realizadas nas fragrâncias ao longo dos anos. Mudanças regulatórias, restrições ao uso de determinadas matérias-primas e transformações no fornecimento de ingredientes contribuíram para modificar as composições comercializadas pela marca.
Um dos exemplos é o Diorama, criado em 1949 pelo perfumista Edmond Roudnitska. A fragrância, classificada como chipre floral e especiada, passou por sucessivos ajustes que alteraram suas características em relação à versão original.
Para recuperar essas composições, Kurkdjian recorreu aos arquivos históricos da maison e a recursos tecnológicos capazes de reconstruir acordes e restabelecer o equilíbrio entre os ingredientes.
O processo também considerou as mudanças naturais das matérias-primas, influenciadas por fatores como origem geográfica, condições de cultivo e disponibilidade no mercado.
Fragrâncias clássicas passam por reconstrução olfativa
Entre os perfumes restaurados está o Eau Fraîche, desenvolvido por Edmond Roudnitska em 1955 e conhecido por ter sido utilizado pelo próprio Christian Dior.
Na nova versão, a equipe aprimorou a expressão de notas cítricas, incluindo bergamota, limão, tangerina e laranja. O trabalho também envolveu a reconstrução do acorde de manjericão e estragão, além da retirada de componentes acrescentados posteriormente à composição.
Outro destaque é o Diorling, criado por Paul Vacher em 1963. Para recuperar suas características originais, foram necessários ajustes relacionados a ingredientes atualmente restritos ou proibidos, como o almíscar de ambreta.
A restauração recuperou elementos como aldeídos, jasmim e musgo de carvalho, preservando a identidade chipre da fragrância.
O Diorissimo, lançado em 1956, também integra a coleção. Conhecido por sua composição floral centrada no lírio-do-vale, o perfume passou por uma reconstrução do acorde de muguet e recebeu uma nova qualidade de jasmim para recuperar sua luminosidade.
Coleção Dioriginals reúne duas fases da perfumaria da maison
A Dior organizou as 13 fragrâncias em dois grupos que representam diferentes períodos de sua trajetória olfativa.
O primeiro, denominado Dior in Grasse, reúne criações associadas ao trabalho de Edmond Roudnitska e Paul Vacher, incluindo Diorama, Eau Fraîche, Diorissimo e Diorling.
O segundo grupo, Dior in Paris, contempla perfumes desenvolvidos entre 1979 e 2003, período marcado pela diversificação das propostas olfativas da marca.
Entre as fragrâncias estão Dioressence, de Max Gavarry, considerada pela Dior seu primeiro perfume âmbar, e Jules, criado por Jean Martel em 1980, com notas de lavanda, sálvia e pimenta-preta.
Na restauração de Jules, Kurkdjian revisou a combinação de especiarias, musgos e fava tonka, além de utilizar lavanda em duas apresentações, essência e absoluto.
A seleção também inclui Dune, desenvolvido por Jean-Louis Sieuzac e Dominique Ropion em 1991; Dolce Vita, criado por Pierre Bourdon em 1995, com notas de pêssego, rosa e baunilha; e Forever and Ever, lançado em 2002 por Jean-Pierre Béthouart, com amêndoa, rosa silvestre e ambreta. Completam a coleção Higher, Higher Energy, Diorella e Dune Pour Homme.
Dior retoma frasco histórico e valoriza patrimônio olfativo
Além da recuperação das fórmulas, a Dioriginals resgata o frasco oval de 1948, estabelecendo uma conexão visual entre as fragrâncias restauradas e os primeiros lançamentos da maison.
A apresentação reforça a proposta de preservar elementos históricos da identidade da Dior, combinando referências tradicionais com os recursos técnicos disponíveis atualmente na indústria de fragrâncias.
Com a Dioriginals, a maison reúne 13 criações de diferentes períodos em uma iniciativa dedicada à recuperação de seu acervo olfativo, destacando o papel da pesquisa, das matérias-primas e da preservação de fórmulas históricas na perfumaria de luxo.



