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Início » Produtos marca própria ganharão força pós-crise?
Innovation Day Curitiba 2026
Inteligência de Mercado Por Janaina5 minutos de leitura25/05/2020 · 13:27

Produtos marca própria ganharão força pós-crise?

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Antônio Sá fala sobre as principais tendências e expectativas para o setor de varejo

Antônio Sá é sócio fundador da Amicci, professor de Cursos de MBA e pós-graduação em Varejo & Marketing na FGV (Fundação Getúlio Vargas), FIA (Fundação Instituto de Administração), Faap (Fundação Armando Alvares Penteado) e Saint Paul Escola de Negócios. A Amicci é uma empresa que desenvolve marcas próprias para algumas das principais varejistas do país, como Carrefour, Drogaria São Paulo e Petz.

Estudioso do mercado de consumo participa anualmente dos principais eventos relacionados ao varejo o Brasil e no mundo. No bate-papo com Felipe Quintino, no quadro Talk Tissue, ele explicou que a pandemia do coronavírus vem trazendo muitas mudanças no consumo. “A pandemia muda a forma dos consumidores agirem, a forma do varejista se entregar ao mercado e ocupar esse mercado. Daquilo que a gente estava mapeando que podia acontecer, [o cenário] muda intensificando ou talvez regressando alguns pontos”, defende.

Uma das tendências mais significativas para o consumo, antes da pandemia, é o varejo físico, apesar do crescimento do e-commerce. “O varejo físico estava se tornando um lugar para você estar, ele passou a ser um lugar em que você interage, então mais do que ser um lugar para comprar e ir embora pra casa, você podia ficar na loja, ficar na praça de alimentação. Ele passa a ser um lugar para aprender também, o ponto físico é o lugar onde você ensina alguma coisa para o consumidor. Sensorialmente, a experiência física é muito mais interessante que a digital, porque o e-commerce, apesar de crescer, nunca vai ter o tocar, o sentir, como o físico. O varejo passa a ser um lugar de diversão também, onde você tem relações humanas em alto nível. ‘Por acaso’, o varejo também vai vender, mas tem que ser uma compra fácil, sem atrito, então fazer filas, esperar para pagar, são coisas que não fazem mais o menor sentido”, pondera.

Antônio Sá é sócio fundador da Amicci

Em sua avaliação, apesar desse crescimento da busca por pontos de venda físicos, é preciso haver a opção para aqueles consumidores que buscam uma compra mais rápida. “Ele também precisa ser o lugar de você buscar, o clique e retire, você compra on-line e vai buscar, isso pode se acelerar muito, por isso, é interessante criar locais de retirar rápido e com pouco contato, de forma fácil”, diz.

Com a pandemia, ele diz que há diferentes situações entre os varejistas:  “[Temos] alguns varejistas que, em algum momento, até cresceram suas vendas, outros que mantiveram abertos, mas caíram as vendas, e outros que tiveram seu negócio fechado”, diz enumerando os fatores que levam à crise nos negócios. “Alguns não resistem porque não têm caixa, os negócios não sobrevivem a uma perda de faturamento repentino, isso vai ser muito duro para as empresas. Muitos tiveram o estrangulamento de sua função, então tiveram que contratar pessoas, investir muito em assepsia, então isso não foi simples. A questão logística foi um impacto brutal, porque do dia pra noite, teve uma demanda muito grande e administrar tudo isso foi um momento muito tenso e que exigiu que todos os gestores saíssem de sua rotina. Acho que nenhuma empresa de varejo passa incólume a tudo isso”, avalia.

Ainda que algumas empresas, como os supermercados, tenham tido um faturamento maior no início da crise, esse cenário está voltando à normalidade, e agora, o desafio é outro. “Ainda é um desafio muito grande entender que categorias vão vender; antes você tinha uma flutuação de demandas de categorias que sabia vendem mais em determinados dias, você tinha um parâmetro de abastecimento, de compra de mercadoria. Isso foi implodido do dia pra noite”, garante.

No segmento de papel tissue, ele avalia que também pode haver mudanças. “O consumidor deve ‘picar’ um pouco mais a sua compra, em vez de comprar 32 rolos, vai comprar 16, vai ver como fazer o dinheiro render. Por outro lado, talvez tenha algumas surpresas: o mercado de lenços umedecidos é uma coisa que pode explodir, principalmente voltado para setores de higienização, então é bom estar atento porque algumas oportunidades podem surgir, já que assim como máscaras e álcool em gel vão ser uma coisa presente no nosso dia a dia, produtos para limpeza, que já eram fortes na Europa e nos Estados Unidos, podem se acentuar bastante por aqui”, declara.

As transformações não são só para os empreendedores, como para o consumidor, que neste momento, vem buscando economizar, o que pode significar uma queda nas vendas de produtos premium. “Quando a disponibilidade de renda para compra cai, o consumidor compra o básico para se manter, como alimentos e medicamentos, mas o que é supérfluo, ele deixa de lado. Por isso, ele pode mudar de uma marca premium para uma mais básica, mais barata. Ele vai buscar uma equação para falar valer o seu dinheiro”, argumenta.

Assim, quem deve ganhar mais força são as marcas próprias de varejistas, que podem oferecer uma melhor relação custo-benefício, isto é, a mesma qualidade de outras marcas mais caras, com preços mais acessíveis. “As marcas próprias dos varejistas devem ganhar uma representatividade muito grande, isso aconteceu na Europa, nos Estados Unidos, está acontecendo aqui e deve se acentuar de uma forma incrível. Eu acho que o consumidor vai fazer isso, e naturalmente os produtos premium, que vinham numa crescente, vão ser algo mais pontual, vai depender de quando o Brasil reage [à crise]”, fala.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Tissue Online 19.05.2020

Antônio Sá Marca própria tendências Varejo

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