Pesquisa identifica ação do extrato de coentro sobre células envelhecidas e produção de colágeno, aproximando conceitos da medicina regenerativa dos cosméticos.
A Shiseido identificou um novo caminho para abordar o envelhecimento cutâneo a partir de pesquisas acumuladas ao longo de mais de 20 anos em medicina regenerativa. A companhia descobriu que o extrato do fruto do coentro (Coriandrum sativum) apresentou um duplo efeito em experimentos celulares: eliminou seletivamente células senescentes e, ao mesmo tempo, aumentou a quantidade de células não senescentes da pele. Esse aumento também foi associado à maior produção de colágeno.
A pesquisa aproxima do setor cosmético o conceito de senolíticos, abordagem estudada na medicina regenerativa para eliminar células senescentes. Essas células permanecem nos tecidos mesmo após perderem parte de suas funções e podem liberar substâncias capazes de afetar as células ao redor, contribuindo para a progressão de processos associados ao envelhecimento.
Segundo a Shiseido, o envelhecimento da pele não envolve apenas alterações nas próprias células estruturais. As células senescentes também podem interferir negativamente nas células vizinhas, criando um ambiente que favorece a propagação da senescência. A descoberta levou os pesquisadores a investigar se a eliminação seletiva dessas células poderia representar uma nova estratégia para os cuidados com o envelhecimento cutâneo.
Pesquisa começou nos estudos sobre regeneração capilar
O potencial do extrato de coentro surgiu a partir de uma linha de investigação anterior da companhia. Durante pesquisas em medicina regenerativa capilar, a Shiseido havia observado que o ingrediente aumentava o número de células que constituem os folículos pilosos. A empresa já havia desenvolvido, em 1997, um extrato de coentro associado à proliferação de células da matriz e da bainha radicular do cabelo.
Os pesquisadores identificaram posteriormente elevada atividade fisiológica em ácidos graxos específicos presentes no extrato e passaram a investigar seus efeitos sobre a pele, especialmente nos fibroblastos dérmicos, células com papel importante na estrutura da derme.
Para avaliar esse mecanismo, fibroblastos dérmicos foram induzidos ao envelhecimento por meio de estresse oxidativo. Quando o extrato do fruto de coentro foi adicionado às culturas, houve indução de apoptose nas células senescentes, levando à sua eliminação. O mesmo efeito não foi observado nas células normais que não haviam passado pelo processo de envelhecimento, indicando uma ação seletiva sobre as células senescentes.
Em outro experimento, os pesquisadores combinaram proporções aproximadamente iguais de células normais e senescentes. Com a adição do extrato, observaram simultaneamente redução das células senescentes e aumento das células normais, além da diminuição da expressão dos marcadores de envelhecimento SA-β-Gal e P21.
As imagens apresentadas pela Shiseido na página 2 do estudo ilustram visualmente essa diferença entre as culturas tratadas e não tratadas, além da mudança na proporção entre células normais e senescentes.
Aumento de células normais estimula produção de colágeno
A investigação revelou ainda uma segunda consequência relevante para aplicações cosméticas. O aumento da população de células normais observado após o tratamento foi acompanhado por maior produção de colágeno nos fibroblastos dérmicos.
Para a Shiseido, os resultados indicam que tecnologias inspiradas na medicina regenerativa podem contribuir para investigar estratégias destinadas a retardar processos de senescência e recuperar funções da pele. A companhia destaca que o diferencial da abordagem está justamente na combinação entre a redução seletiva das células senescentes e a expansão das células consideradas saudáveis.
A pesquisa também se conecta aos SASP, sigla para senescence-associated secretory phenotype. O termo reúne fatores como citocinas, quimiocinas, fatores de crescimento e proteases secretados pelas células senescentes, que podem promover inflamação e afetar negativamente as células ao redor.
Longevidade amplia novas frentes de pesquisa cosmética
Os resultados acompanham o avanço da longevidade como uma das novas fronteiras da ciência cosmética. Em vez de atuar somente sobre manifestações visíveis do envelhecimento, pesquisas vêm se aproximando dos mecanismos celulares envolvidos no processo, abrindo espaço para novas abordagens no desenvolvimento de produtos para a pele.
A Shiseido pretende continuar combinando sua experiência em cosméticos e medicina regenerativa e incorporar conhecimentos emergentes, incluindo os senolíticos, ao desenvolvimento de soluções direcionadas às preocupações relacionadas ao envelhecimento.
A estratégia faz parte da estrutura de pesquisa e desenvolvimento da companhia, organizada sob a filosofia Dynamic Harmony, que contempla inovação em beleza da pele, sustentabilidade e novas áreas de atuação. A empresa também mantém alianças com instituições externas e destaca sua participação em pesquisas reconhecidas em fóruns científicos como o congresso da IFSCC.
O trabalho dá continuidade a uma trajetória de mais de duas décadas da Shiseido em medicina regenerativa aplicada à pele e aos cabelos. Nesse período, a companhia vem estudando mecanismos de reparação celular, fatores de crescimento e formas de transferir conhecimentos obtidos em pesquisas médicas para aplicações em cuidados cosméticos.
Embora os resultados apresentados sejam pré-clínicos e baseados em experimentos celulares, sem demonstração neste documento de eficácia em consumidores ou em um produto cosmético acabado, a descoberta amplia as possibilidades de investigação sobre senescência celular e posiciona a longevidade como uma área crescente de convergência entre medicina regenerativa e ciência cosmética.


