A Unilever anunciou uma parceria estratégica de cinco anos com a Google Cloud com o objetivo de aprofundar sua transformação digital e reposicionar sua estrutura tecnológica como motor central de crescimento
A iniciativa prevê a adoção ampliada de soluções avançadas de inteligência artificial, dados e plataformas digitais para fortalecer a competitividade do portfólio global da companhia.
O acordo contempla a utilização de recursos como o Vertex AI — plataforma corporativa de IA da Google — para desenvolver novas capacidades em descoberta de marcas, mensuração de performance e marketing potencializado por inteligência artificial. A integração deve impactar diretamente marcas estratégicas do grupo, incluindo Dove, Vaseline e Hellmann’s, ampliando sua presença em ambientes digitais cada vez mais mediados por algoritmos e sistemas preditivos.
A movimentação ocorre em um momento de desempenho financeiro sólido para a companhia. Em 2025, a Unilever registrou crescimento de 3,8% nas vendas, atingindo €50,5 bilhões. A divisão de Beauty & Wellbeing avançou 4,3%, enquanto personal care cresceu 4,7% e home care, 2,6%, reforçando o papel estratégico das categorias de beleza e cuidados pessoais no portfólio global.
Com a parceria, a empresa pretende estruturar um “backbone digital” corporativo orientado por IA, capaz de acelerar a geração de demanda, converter dados em insights acionáveis e responder com maior agilidade às oscilações do mercado. A iniciativa sinaliza uma mudança estrutural: tecnologia deixa de ser suporte operacional para se tornar eixo central de criação de valor.
Segundo a liderança da companhia, à medida que consumidores passam a descobrir e escolher marcas em ecossistemas influenciados por inteligência artificial, torna-se essencial antecipar tendências e dominar novas dinâmicas de visibilidade digital. Nesse contexto, modelos avançados como o Gemini, da Google Cloud, passam a desempenhar papel estratégico ao criar sistemas capazes de analisar, aprender e agir em tempo real.
O acordo representa um indicativo claro da próxima fronteira competitiva no setor de bens de consumo: ecossistemas de marca estruturados sobre dados proprietários, automação inteligente e capacidade preditiva aplicada à jornada do consumidor.
A expectativa das companhias é estabelecer um novo padrão de descoberta e compra de marcas no segmento de CPG (consumer packaged goods), consolidando um modelo em que tecnologia, criatividade e performance comercial operam de forma integrada.