A expansão da rotina de cuidados pessoais fortalece a demanda por produtos de higiene, dermocosméticos e bem-estar.
O mercado farmacêutico acompanha uma mudança significativa no comportamento do consumidor. Cada vez mais, os brasileiros incorporam o autocuidado à rotina, ampliando o consumo de produtos de higiene pessoal, dermocosméticos e bem-estar. O movimento fortalece categorias de maior valor agregado e cria novas oportunidades para a indústria e o varejo farma.
Dados da Worldpanel by Numerator mostram que as ocasiões de uso de produtos de cuidados pessoais cresceram 8,7% em 2024 em relação ao ano anterior. O maior avanço foi registrado nos chamados “momentos especiais”, que avançaram 28,1%, seguidos pelas ocasiões ligadas à rotina diária (16,7%) e aos momentos de relaxamento e bem-estar (6,3%). Em contrapartida, os usos motivados exclusivamente por necessidades específicas recuaram 2,4%.
Segundo Renan Cavallieri, Sr. Usage & Advanced Analytics Manager da Worldpanel by Numerator, os dados indicam que o consumidor passou a incorporar um número maior de categorias à sua rotina, transformando o autocuidado em um hábito mais frequente e menos associado apenas a necessidades pontuais.
Para o executivo, o desafio das marcas está em ampliar a recorrência de consumo, incentivando o uso contínuo dos produtos e fortalecendo sua presença no dia a dia dos consumidores.
No varejo farmacêutico, esse cenário abre espaço para estratégias de exposição e desenvolvimento de portfólio mais integradas. Categorias como fragrâncias, produtos para cabelos, sabonetes líquidos, maquiagem e dermocosméticos aparecem em diferentes momentos de consumo, favorecendo ações de cross-selling e experiências de compra que estimulem a construção de hábitos de autocuidado.
Outro destaque do levantamento é o avanço da premiumização. O crescimento dos chamados “momentos especiais” amplia a demanda por produtos com maior valor agregado e atributos diferenciados, oferecendo oportunidades para a expansão de linhas premium e soluções voltadas à experiência do consumidor.
O estudo também evidencia que as motivações de compra variam conforme o perfil socioeconômico. Entre os consumidores das classes A e B, cresce a procura por produtos hipoalergênicos, especialmente na categoria de sabonetes. Na classe C, ganham espaço os produtos voltados aos hábitos de depilação e aos cuidados com a textura da pele, impulsionando categorias como cremes, dermocosméticos e maquiagem. Já entre os consumidores das classes D e E, o destaque está na ampliação da rotina de higiene durante o banho, além do crescimento da demanda por produtos de higiene bucal e cuidados masculinos.
As diferenças também se estendem entre homens e mulheres e entre diferentes faixas etárias, reforçando a necessidade de estratégias mais segmentadas. Para a indústria farmacêutica e o varejo, o cenário evidencia a importância de desenvolver portfólios direcionados e comunicações personalizadas, capazes de atender às necessidades específicas de cada público e ampliar a relevância das categorias dentro da jornada de autocuidado.



