Expansão da K-Beauty transforma a geografia das exportações, fortalece as pequenas empresas e acelera a presença no mercado latino-americano.
A indústria cosmética sul-coreana registrou US$ 11,1 bilhões em exportações de janeiro a setembro de 2026, alta de 31,1% em relação ao mesmo intervalo de 2025. O resultado é o maior já alcançado para os primeiros nove meses de um ano e se aproxima dos US$ 11,4 bilhões exportados ao longo de todo o ano de 2025, segundo o Ministério de Segurança de Alimentos e Medicamentos (MFDS) da Coreia do Sul.
A marca também representa uma mudança de escala para a K-Beauty: a presença global de marcas coreanas continua avançando enquanto o setor diversifica destinos e amplia a participação das pequenas e médias empresas (PMEs). Os resultados oferecem uma leitura relevante para fabricantes, fornecedores de ingredientes, distribuidores e desenvolvedores de formulações em outros mercados, inclusive no Brasil.

Exportações de cosméticos de janeiro a setembro. Base de 2025 calculada a partir do valor de 2026 e da variação oficial de 31,1%; valores aproximados.
Recorde anual de 2025 já foi ultrapassado
Um novo comunicado governamental, divulgado em 1º de novembro, acrescentou US$ 1,44 bilhão às exportações de cosméticos em outubro de 2026, avanço de 57,5% na comparação com outubro do ano anterior. Segundo o Ministério do Comércio, Indústria e Recursos, esse foi o maior resultado já registrado para o mês de outubro.
A soma aproximada dos dados de janeiro a setembro e de outubro indica US$ 12,54 bilhões nos primeiros dez meses de 2026, acima do total de 2025. Como os números procedem de comunicados com valores arredondados e preliminares, esse acumulado deve ser interpretado como estimativa, e não como uma estatística anual consolidada.
Estados Unidos assumem a liderança entre os destinos
O MFDS aponta os Estados Unidos como maior destino dos cosméticos sul-coreanos no acumulado até setembro, com US$ 2,35 bilhões, ou 21,1% do total. A China aparece em segundo lugar, com US$ 1,58 bilhão (14,2%), seguida pelo Japão, com US$ 890 milhões (8,0%).
A distribuição reforça a diversificação geográfica da indústria: embora a China permaneça relevante, o mercado norte-americano já responde pela maior parcela das exportações. O Ministério do Comércio informou ainda que o desempenho de outubro contou com expansão das vendas de cosméticos para os Estados Unidos, a China e a União Europeia.

Principais destinos das exportações totais de cosméticos, janeiro a setembro de 2026.
PMEs respondem por parte importante da expansão
Segundo o Ministério das Pequenas e Médias Empresas e Startups (MSS), as exportações de cosméticos realizadas por PMEs chegaram a US$ 2,79 bilhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 28,6% em relação ao mesmo período de 2025. De janeiro a setembro, esse grupo de empresas acumulou US$ 7,65 bilhões em vendas externas, avanço de 26,4%. São recortes específicos das PMEs, já incluídos nos indicadores gerais do setor e que não devem ser somados a eles.
A trajetória sinaliza que a internacionalização da K-Beauty não depende exclusivamente das grandes companhias. Para a cadeia produtiva, o dinamismo desse universo amplia a demanda potencial por desenvolvimento de produtos, fabricação terceirizada, embalagens, ingredientes e serviços de conformidade regulatória — oportunidades que exigem análise individual de cada mercado.
América Latina apresenta salto de 141,3%
O avanço na América Latina chama atenção: as vendas de cosméticos das PMEs sul-coreanas à região atingiram US$ 100 milhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 141,3% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. No acumulado de janeiro a setembro, foram US$ 220 milhões, alta de 133,3%, segundo o MSS.
O ritmo de expansão é expressivo, ainda que sobre uma base menor do que a observada na América do Norte e na Europa. Os números divulgados para a América Latina não discriminam o Brasil, razão pela qual não permitem medir isoladamente o desempenho no mercado brasileiro.

Variação anual nas exportações de cosméticos das PMEs por região, terceiro trimestre de 2026. Não se refere ao conjunto das exportações da indústria.
Comércio eletrônico amplia canais de entrada
Outra frente de crescimento é a venda internacional por canais digitais. O MSS registrou US$ 360 milhões em exportações online de cosméticos feitas por PMEs no terceiro trimestre, alta de 97,5% na comparação anual. A categoria representou 75,3% de todas as exportações online dessas empresas no período.
O relatório destaca o Reino Unido e os Países Baixos como polos em ascensão para esse comércio eletrônico: os embarques online de cosméticos a esses mercados cresceram, respectivamente, 729,6% e 515,3%. As taxas elevadas não devem ser confundidas com liderança em valor absoluto; elas apontam a velocidade da expansão desses canais.
O que o avanço da K-Beauty sinaliza para o Brasil
O desempenho sul-coreano traz três pontos de atenção para a indústria cosmética brasileira. O primeiro é a importância de reduzir a concentração geográfica das vendas externas. O segundo está na capacidade de pequenas e médias marcas de acessar mercados internacionais com apoio de canais digitais e redes industriais. O terceiro é a competição crescente por inovação, posicionamento e eficiência na produção de produtos destinados a públicos de diferentes regiões.
No campo técnico, a expansão das vendas pode abrir espaço para fornecedores de ativos, bases formulativas, embalagens e soluções de fabricação. Entretanto, os indicadores de comércio exterior não demonstram que ingredientes específicos — como PDRN, peptídeos ou exossomos — sejam responsáveis pelo crescimento. Qualquer ligação desse tipo requer pesquisa adicional de portfólio e de mercado.
O MFDS informou que pretende reforçar a cooperação entre autoridades regulatórias, a oferta de informações sobre requisitos dos países importadores e iniciativas de apoio relacionadas à certificação halal. Essas ações ajudam a compreender a internacionalização como um projeto que combina estratégia empresarial, capacidade industrial e ambiente regulatório.
Com as exportações já superiores ao recorde anterior, a questão para a indústria global deixa de ser apenas o volume que a Coreia do Sul consegue vender: passa a ser como a velocidade dessa expansão afetará a concorrência, os canais de distribuição e as decisões de inovação nos próximos anos.
Expansão da K-Beauty transforma a geografia das exportações, fortalece as pequenas empresas e acelera a presença no mercado latino-americano.
A indústria cosmética sul-coreana registrou US$ 11,1 bilhões em exportações de janeiro a setembro de 2026, alta de 31,1% em relação ao mesmo intervalo de 2025. O resultado é o maior já alcançado para os primeiros nove meses de um ano e se aproxima dos US$ 11,4 bilhões exportados ao longo de todo o ano de 2025, segundo o Ministério de Segurança de Alimentos e Medicamentos (MFDS) da Coreia do Sul.
A marca também representa uma mudança de escala para a K-Beauty: a presença global de marcas coreanas continua avançando enquanto o setor diversifica destinos e amplia a participação das pequenas e médias empresas (PMEs). Os resultados oferecem uma leitura relevante para fabricantes, fornecedores de ingredientes, distribuidores e desenvolvedores de formulações em outros mercados, inclusive no Brasil.
Exportações de cosméticos de janeiro a setembro. Base de 2025 calculada a partir do valor de 2026 e da variação oficial de 31,1%; valores aproximados. Fonte: MFDS, 2/10/2026.
Recorde anual de 2025 já foi ultrapassado
Um novo comunicado governamental, divulgado em 1º de novembro, acrescentou US$ 1,44 bilhão às exportações de cosméticos em outubro de 2026, avanço de 57,5% na comparação com outubro do ano anterior. Segundo o Ministério do Comércio, Indústria e Recursos, esse foi o maior resultado já registrado para o mês de outubro.
A soma aproximada dos dados de janeiro a setembro e de outubro indica US$ 12,54 bilhões nos primeiros dez meses de 2026, acima do total de 2025. Como os números procedem de comunicados com valores arredondados e preliminares, esse acumulado deve ser interpretado como estimativa, e não como uma estatística anual consolidada.
Estados Unidos assumem a liderança entre os destinos
O MFDS aponta os Estados Unidos como maior destino dos cosméticos sul-coreanos no acumulado até setembro, com US$ 2,35 bilhões, ou 21,1% do total. A China aparece em segundo lugar, com US$ 1,58 bilhão (14,2%), seguida pelo Japão, com US$ 890 milhões (8,0%).
A distribuição reforça a diversificação geográfica da indústria: embora a China permaneça relevante, o mercado norte-americano já responde pela maior parcela das exportações. O Ministério do Comércio informou ainda que o desempenho de outubro contou com expansão das vendas de cosméticos para os Estados Unidos, a China e a União Europeia.
Principais destinos das exportações totais de cosméticos, janeiro a setembro de 2026. Fonte: MFDS, 2/10/2026.
PMEs respondem por parte importante da expansão
Segundo o Ministério das Pequenas e Médias Empresas e Startups (MSS), as exportações de cosméticos realizadas por PMEs chegaram a US$ 2,79 bilhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 28,6% em relação ao mesmo período de 2025. De janeiro a setembro, esse grupo de empresas acumulou US$ 7,65 bilhões em vendas externas, avanço de 26,4%. São recortes específicos das PMEs, já incluídos nos indicadores gerais do setor e que não devem ser somados a eles.
A trajetória sinaliza que a internacionalização da K-Beauty não depende exclusivamente das grandes companhias. Para a cadeia produtiva, o dinamismo desse universo amplia a demanda potencial por desenvolvimento de produtos, fabricação terceirizada, embalagens, ingredientes e serviços de conformidade regulatória — oportunidades que exigem análise individual de cada mercado.
América Latina apresenta salto de 141,3%
O avanço na América Latina chama atenção: as vendas de cosméticos das PMEs sul-coreanas à região atingiram US$ 100 milhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 141,3% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. No acumulado de janeiro a setembro, foram US$ 220 milhões, alta de 133,3%, segundo o MSS.
O ritmo de expansão é expressivo, ainda que sobre uma base menor do que a observada na América do Norte e na Europa. Os números divulgados para a América Latina não discriminam o Brasil, razão pela qual não permitem medir isoladamente o desempenho no mercado brasileiro.
Variação anual nas exportações de cosméticos das PMEs por região, terceiro trimestre de 2026. Não se refere ao conjunto das exportações da indústria. Fonte: MSS, 26/10/2026.
Comércio eletrônico amplia canais de entrada
Outra frente de crescimento é a venda internacional por canais digitais. O MSS registrou US$ 360 milhões em exportações online de cosméticos feitas por PMEs no terceiro trimestre, alta de 97,5% na comparação anual. A categoria representou 75,3% de todas as exportações online dessas empresas no período.
O relatório destaca o Reino Unido e os Países Baixos como polos em ascensão para esse comércio eletrônico: os embarques online de cosméticos a esses mercados cresceram, respectivamente, 729,6% e 515,3%. As taxas elevadas não devem ser confundidas com liderança em valor absoluto; elas apontam a velocidade da expansão desses canais.
O que o avanço da K-Beauty sinaliza para o Brasil
O desempenho sul-coreano traz três pontos de atenção para a indústria cosmética brasileira. O primeiro é a importância de reduzir a concentração geográfica das vendas externas. O segundo está na capacidade de pequenas e médias marcas de acessar mercados internacionais com apoio de canais digitais e redes industriais. O terceiro é a competição crescente por inovação, posicionamento e eficiência na produção de produtos destinados a públicos de diferentes regiões.
No campo técnico, a expansão das vendas pode abrir espaço para fornecedores de ativos, bases formulativas, embalagens e soluções de fabricação. Entretanto, os indicadores de comércio exterior não demonstram que ingredientes específicos — como PDRN, peptídeos ou exossomos — sejam responsáveis pelo crescimento. Qualquer ligação desse tipo requer pesquisa adicional de portfólio e de mercado.
O MFDS informou que pretende reforçar a cooperação entre autoridades regulatórias, a oferta de informações sobre requisitos dos países importadores e iniciativas de apoio relacionadas à certificação halal. Essas ações ajudam a compreender a internacionalização como um projeto que combina estratégia empresarial, capacidade industrial e ambiente regulatório.
Com as exportações já superiores ao recorde anterior, a questão para a indústria global deixa de ser apenas o volume que a Coreia do Sul consegue vender: passa a ser como a velocidade dessa expansão afetará a concorrência, os canais de distribuição e as decisões de inovação nos próximos anos.


