Após anúncio de investimento de R$ 80 milhões em skincare, fabricante de produtos de higiene afirma não ter vínculo com a iniciativa e questiona a utilização da denominação “Mili”.
A entrada da Cimed no mercado de skincare, anunciada com investimento de R$ 80 milhões, ganhou um novo capítulo. A Mili S.A., fabricante brasileira de produtos de higiene e cuidados pessoais, publicou comunicado oficial para esclarecer que não possui qualquer vínculo, associação ou parceria com a linha de cosméticos apresentada pela farmacêutica sob o nome “Mili”.
A manifestação ocorre após a divulgação da estratégia de expansão da Cimed no segmento de cuidados com a pele. Em seu comunicado, a fabricante de produtos de higiene chama atenção para o que classifica como uma sobreposição de marcas e ressalta sua trajetória de mais de quatro décadas no mercado brasileiro.
Segundo a Mili S.A., o nome da companhia está registrado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) desde 1986. A empresa afirma que adotará as medidas cabíveis para resguardar a integridade e a propriedade de sua marca, sem detalhar, na publicação, quais providências serão tomadas.
A companhia também enfatizou sua atuação há mais de 43 anos nos segmentos de higiene e cuidados pessoais, reiterando o compromisso com a transparência e o respeito aos consumidores e parceiros.
Coincidência de nomes coloca marcas no centro da discussão
O episódio chama atenção porque a mesma denominação aparece vinculada a duas empresas com presença no universo de cuidados pessoais, embora com trajetórias e portfólios distintos. De um lado, a Mili S.A. atua tradicionalmente em produtos de higiene; de outro, a Cimed apresentou “Mili” como nome de sua nova linha de skincare.
O posicionamento público não significa, por si só, que tenha ocorrido infração de marca. Uma eventual controvérsia sobre propriedade intelectual dependeria da análise dos registros, das respectivas classes de produtos, do alcance da proteção e do risco de confusão ou associação indevida pelo consumidor.
Até a publicação desta matéria, os materiais analisados não permitiam confirmar a existência de decisão administrativa ou judicial sobre a questão.
Um novo desafio para a expansão da Cimed
O posicionamento da Mili ocorre em momento estratégico para a Cimed, que busca ampliar sua presença no mercado de beleza e cuidados pessoais e aproveitar sua experiência de distribuição no varejo farmacêutico.
A possível controvérsia acrescenta uma dimensão de propriedade intelectual ao lançamento e evidencia a importância das pesquisas de disponibilidade de marca antes da apresentação de novos produtos, especialmente em categorias próximas, como cosméticos, higiene e saúde.
A questão agora é saber se as empresas chegarão a um entendimento sobre o uso da denominação ou se a divergência avançará para a esfera administrativa ou judicial. O Cosmetic Innovation seguirá acompanhando os desdobramentos e permanece aberto ao posicionamento da Cimed.



