Após anos de nécessaires minimalistas, categoria recupera espaço com menos tonalidades, combinações versáteis e embalagens compactas que substituem os grandes estojos dos anos 2010.
As paletas de sombras estão voltando ao nécessaire, mas sob uma lógica diferente daquela que marcou o boom da categoria nos anos 2010. Se naquela época estojos com dezenas de cores, grandes espelhos e embalagens robustas se tornaram objetos de desejo, os lançamentos atuais apontam para formatos menores, seleção mais criteriosa de tonalidades e maior praticidade de uso.
Na década passada, produtos como a Naked, da Urban Decay, e a Chocolate Bar, da Too Faced, ajudaram a transformar as grandes paletas em protagonistas da maquiagem. Quanto maior a variedade de cores e acabamentos, maior parecia ser o valor percebido pelo consumidor, em um movimento também impulsionado pelos tutoriais de maquiagem no YouTube.
A categoria perdeu parte desse protagonismo com a ascensão de movimentos minimalistas, especialmente a estética clean girl, que favoreceu nécessaires enxutas, tons neutros e produtos multifuncionais. Agora, a onda nostálgica que recupera referências de beleza de décadas recentes também abre espaço para a volta das sombras — mas sem necessariamente resgatar os excessos das antigas embalagens.
Menos cores, mais possibilidades
A nova geração de paletas troca dezenas de tonalidades por uma curadoria mais precisa, geralmente reunindo cores desenvolvidas para funcionar entre si. A proposta é oferecer combinações capazes de acompanhar diferentes ocasiões, desde uma maquiagem discreta para o dia até produções mais marcantes para a noite, sem exigir um estojo de grandes dimensões.
De acordo com informações da Vogue, essa mudança também coloca a embalagem no centro da renovação da categoria. Estojos menores, mais leves e fáceis de transportar respondem a uma rotina de beleza que se tornou mais móvel e objetiva. Em vez de comunicar abundância pelo número de sombras, o valor passa a estar na escolha das tonalidades e na versatilidade proporcionada por cada espaço ocupado na paleta.
O movimento pode ser observado em lançamentos e produtos de marcas internacionais e brasileiras, como Diorshow 5 Couleurs, da Dior; Mini Eye Palette EMBERS, da Anastasia Beverly Hills; Metamorphosis, da MAC Cosmetics; The Timeless Eyeshadow Palette, da Mascavo; Una Pro Palette, da Natura; Instant Palette Dream, da Nina Makeup; Neutrals Not So Basic, da Petrizi; e Super Deluxe, da Contém1g.
A diversidade de marcas envolvidas também mostra que o movimento atravessa diferentes posicionamentos do mercado, do luxo às empresas nacionais. Paletas com quatro, cinco, seis ou dez tonalidades permitem trabalhar propostas distintas sem retornar necessariamente aos grandes conjuntos que dominaram as penteadeiras na década passada.
Para a indústria cosmética e seus fornecedores, a retomada abre oportunidades não apenas para pigmentos, efeitos, texturas e novas combinações de cores, mas também para o desenvolvimento de embalagens mais compactas e funcionais. O desafio passa a ser entregar a sensação de variedade e desejo que tornou as antigas paletas um fenômeno, agora com menos produto, maior curadoria e formatos adequados aos novos hábitos de consumo.



