Iniciativa inclui o Brasil e apresenta pesquisa com 20 mil pessoas em dez países, além de ações de conscientização e inclusão.
A Sephora anunciou o lançamento do Project Hearts Not Hate, sua primeira iniciativa corporativa global dedicada ao combate à discriminação relacionada à aparência. A campanha, apresentada em setembro de 2026, reúne pesquisa de mercado, capacitação e ações de responsabilidade social para promover a inclusão e combater situações de julgamento e exclusão motivadas por características físicas.
Como parte do projeto, a varejista de beleza encomendou à Ipsos um estudo internacional com 20.001 participantes de dez mercados, incluindo o Brasil. Os resultados apontam que sete em cada dez adultos já enfrentaram alguma forma de discriminação ou julgamento relacionado à aparência ao longo da vida. Entre jovens de 18 a 24 anos, esse percentual chega a 85%.
A pesquisa foi realizada entre 12 e 31 de agosto de 2026, abrangendo Austrália, Brasil, Canadá, China, França, México, Singapura, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Estados Unidos.
Pesquisa identifica impactos no comportamento dos consumidores
Os dados mostram que experiências de discriminação relacionadas à aparência influenciam comportamentos e interações sociais. Entre os participantes que relataram essas situações, 76% afirmaram ter limitado alguma atividade cotidiana em decorrência dessas experiências.
Desse grupo, 55% evitaram determinadas pessoas ou grupos, 45% deixaram de frequentar locais específicos e 39% evitaram eventos sociais. Outros 34% relataram mudanças na própria maneira de agir.
Entre os fatores associados ao julgamento pela aparência, os entrevistados destacaram características corporais, como peso e tamanho (37%), tom de pele, etnia ou origem (35%) e orientação sexual (29%).
O levantamento também identificou a influência das plataformas digitais. Para 82% dos participantes, as redes sociais contribuíram para tornar essas situações mais frequentes, embora quase 90% dos episódios relatados ocorram fora do ambiente online.
Sephora desenvolverá treinamentos com organização internacional
Além de apresentar os resultados da pesquisa, a Sephora anunciou uma parceria com a organização sem fins lucrativos Right To Be, especializada no enfrentamento ao assédio e à discriminação.
A colaboração prevê o desenvolvimento do programa Sephora H.E.A.R.T.S., uma metodologia de capacitação destinada a orientar funcionários e comunidades sobre como identificar, prevenir e intervir em situações de discriminação motivadas pela aparência.
A implementação dos treinamentos está prevista para começar em 2027, com atividades em diferentes mercados de atuação da companhia.
A iniciativa responde a uma lacuna identificada pela Ipsos: embora 57% dos entrevistados tenham presenciado situações de julgamento, intimidação ou exclusão relacionadas à aparência, 81% consideram que as pessoas frequentemente não sabem como agir diante desses episódios.
O estudo também aponta que aproximadamente três quartos dos participantes reconhecem a responsabilidade das marcas de beleza na promoção de padrões mais inclusivos, especialmente por meio da comunicação, da representatividade e de sua influência sobre as percepções de beleza.
Campanha também prevê doações vinculadas às vendas
Para marcar o lançamento global do projeto, a Sephora programou uma mobilização comercial para os dias 9 e 10 de outubro de 2026, em referência ao Dia Mundial da Saúde Mental.
Durante o período, a empresa realizará doações vinculadas à venda de produtos da Sephora Collection, destinando recursos à Right To Be e a organizações locais sem fins lucrativos que apoiam comunidades afetadas pela discriminação relacionada à aparência.
Segundo Deborah Yeh, diretora global de marketing da Sephora, a iniciativa representa um compromisso de longo prazo com a construção de um ambiente mais inclusivo, no qual a beleza seja reconhecida como forma de expressão individual.
Com o Project Hearts Not Hate, a Sephora amplia sua atuação em responsabilidade social corporativa, integrando pesquisa, educação e mobilização de consumidores. A estratégia também reforça a importância da inclusão e da representatividade nas políticas institucionais e de comunicação das empresas do setor de beleza.


