Ativos inspirados em clínicas, sistemas de entrega inteligentes e biologia celular devem impulsionar a inovação e o crescimento da categoria nos próximos anos.
O mercado global de cuidados com a pele já ultrapassou US$ 100 bilhões e entra em uma nova fase de transformação. De acordo com análise da Mintel, a próxima onda de inovação será impulsionada por três pilares: ativos inspirados em procedimentos estéticos, sistemas de entrega cada vez mais sofisticados e a incorporação da ciência da longevidade ao desenvolvimento de produtos.
Segundo o estudo, o comportamento do consumidor tem acelerado essa mudança. Mais informados sobre biologia da pele e mais criteriosos em relação às promessas das marcas, os consumidores passaram a exigir evidências científicas, resultados mensuráveis e produtos capazes de entregar benefícios comparáveis aos obtidos em tratamentos profissionais.
Ativos inspirados em clínicas chegam ao skincare diário
Entre as principais tendências destacadas pela Mintel está a migração de ingredientes antes restritos ao ambiente clínico para formulações de uso doméstico. O PDRN (polidesoxirribonucleotídeo), conhecido por seu uso em tratamentos regenerativos como o Rejuran, é apontado como um dos ativos que mais crescem na categoria desde 2024.
Outro destaque são as tecnologias inspiradas em exossomos, utilizadas inicialmente na recuperação pós-procedimentos estéticos e agora incorporadas a produtos tópicos para auxiliar no reparo da pele, fortalecimento da barreira cutânea e regeneração celular. Segundo o relatório, essa convergência entre estética profissional e skincare cotidiano eleva as expectativas dos consumidores em relação à eficácia dos produtos.
Sistemas de entrega se tornam diferencial competitivo
Para a Mintel, o diferencial competitivo deixou de estar apenas na escolha dos ingredientes. A forma como esses ativos são entregues à pele passa a exercer papel decisivo na percepção de eficácia e na premiumização dos produtos.
O estudo destaca que tecnologias como microagulhas dissolvíveis, espículas, sistemas de encapsulamento e outras soluções de liberação direcionada vêm ganhando espaço por aumentar a penetração dos ativos em camadas específicas da pele. Dados analisados pela consultoria mostram crescimento contínuo de lançamentos que utilizam microagulhas em produtos para rosto e pescoço, refletindo a busca por soluções que aproximam cosméticos dos dispositivos dermatológicos.
Além disso, consumidores demonstram maior preocupação com a segurança das formulações. Nos Estados Unidos, três em cada quatro pessoas afirmam que as marcas deveriam apresentar mais evidências científicas para sustentar suas alegações, enquanto na China mais de 80% das mulheres acreditam que concentrações excessivas de ativos podem causar danos à pele.
Longevidade amplia o conceito de antienvelhecimento
O terceiro movimento identificado pela Mintel é a incorporação da ciência da longevidade ao skincare. Em vez de focar apenas na correção de rugas e outros sinais visíveis, as marcas passam a desenvolver soluções voltadas à manutenção da saúde da pele em nível celular.
Nesse contexto, processos biológicos como função mitocondrial, metabolismo celular, controle da inflamação, senescência e proteínas associadas à longevidade, como as sirtuínas, tornam-se protagonistas das novas pesquisas e narrativas de inovação.
O relatório destaca que o conhecimento do consumidor sobre esses mecanismos também cresce. Na Coreia do Sul, 44% das mulheres associam longevidade à reversão dos sinais de envelhecimento por meio da formação de colágeno. Já na China, mais de um terço acredita que tecnologias direcionadas às mitocôndrias aumentam a eficácia dos cosméticos. Nos Estados Unidos, 65% dos consumidores afirmam adotar uma abordagem preventiva para preservar a saúde da pele, como o uso diário de protetor solar.
Marcas precisam transformar ciência em experiência
Na avaliação da Mintel, a próxima geração de produtos exigirá mais do que ingredientes inovadores. As marcas precisarão tornar a credibilidade científica perceptível por meio de experiências sensoriais, elementos visuais e tecnologias de aplicação que facilitem a compreensão dos benefícios pelo consumidor.
Exemplos citados no estudo incluem produtos que utilizam cores, texturas e formatos para reforçar a narrativa científica, além de sistemas de entrega que tornam a eficácia visível durante o uso, contribuindo para fortalecer a confiança na formulação.
Para a consultoria, as empresas que liderarem a próxima fase do mercado serão aquelas capazes de integrar ativos de nível clínico, tecnologias avançadas de entrega e biologia da longevidade em uma proposta única de valor. Em um cenário em que os consumidores exigem provas em vez de promessas, a eficácia demonstrável e a comunicação baseada em ciência tendem a se consolidar como os principais diferenciais competitivos do skincare nos próximos anos.



