Uma das maiores certificadoras de produtos orgânicos, a francesa Ecocert, adquiriu os ativos da certificadora Argencert, uma pioneira no mercado local argentino. As empresas não revelaram o valor da operação, apenas que a decisão reforça a presença do grupo francês na América Latina – onde já tem subsidiárias, no Brasil, Chile, Peru, Colômbia e México.
E, ao mesmo tempo, promete “oferecer aos produtores argentinos e comerciantes acesso a inúmeras certificações e uma rede e um programas de marcas reconhecidas globalmente”, segundo Laura Montenegro, fundadora e presidente da Argencert.
Ambas as empresas foram criadas em 1991. O grupo francês está presente em 130 países, com mais de 900 funcionários e um faturamento anual de US$ 55 milhões. Enquanto isso, Argencert tem 18 funcionários em seus escritórios em Buenos Aires e filiais em River Valley e Mendoza.
As negociações começaram em março de 2016 e o acordo final foi alcançado no final de novembro. “Esta é uma mudança de propriedade, mas a estrutura da Argencert permanece intacta, o mesmo acontece com o nome da empresa. Como temos um caminho percorrido, seria muito complicado alterar a denominação social para procedimentos nos vários organismos públicos”, explicou Mario Passo, diretor-executivo da empresa.
A Argentina é em uma escala global, a segunda maior área orgânica (pouco mais de três milhões de hectares) acreditado, atrás da Austrália. Noventa e dois por cento dos certificados correspondem a produtos de origem animal e 8% de vegetais.
Noventa e oito por cento da produção orgânica local é exportada, principalmente para os Estados Unidos (54%), União Europeia (30%), Suíça e Japão. De acordo com Argencert, o país exportou 110 diferentes produtos certificados para esses mercados em 2015. Em volume totalizou 160.000 toneladas.
Enquanto a Argentina é um líder na produção orgânica, não há quase nenhum mercado interno para esses produtos. Segundo Passo, de Argencert, “promover um mercado e um maior desenvolvimento da produção orgânica, com benefícios para a saúde e o ambiente, requerem um maior apoio do Estado através de campanhas de educação e assistência aos produtores durante os três primeiros anos de o processo de certificação”.



