Categoria representa 27% do volume do negócio e movimenta cerca de 250 unidades por minuto
Em um mercado no qual novas tendências, tecnologias e comportamentos transformam constantemente a relação dos consumidores com as fragrâncias, o Grupo Boticário amplia sua estratégia de inovação para fortalecer uma das categorias mais relevantes de seu negócio: a perfumaria.
A dimensão da operação ajuda a traduzir essa importância. A categoria representa 27% do volume do negócio e no ano passado, a categoria comercializou aproximadamente 250 unidades por minuto — mais de quatro por segundo. A escala chega a cerca de 400 mil frascos de perfumes e fragrâncias por dia. O avanço também aparece em diferentes segmentos do portfólio. A franquia Eudora EDP (Eau de Parfum), que reúne as fragrâncias mais intensas da marca, registra crescimento de 15% em receita e 17% em volume entre 2024 e 2026.
Dentro da arquitetura de perfumaria do Grupo Boticário, Eudora ocupa a camada de entrada do mercado em termos de faixa de preço, antecedendo as marcas Boticário e O.U.i Paris nessa hierarquia. O desempenho da franquia reforça a estratégia do Grupo de atuar em diferentes momentos e expectativas de consumo, combinando propostas, intensidades e posicionamentos distintos dentro da categoria.
Para uma companhia que já ocupa posição de liderança na perfumaria brasileira, o desafio passa não apenas por acompanhar as transformações da categoria, mas por ampliar continuamente sua capacidade de antecipá-las. Por isso, o Grupo Boticário vem construindo um ecossistema que conecta ciência, natureza, tecnologia e conhecimento sobre o consumidor brasileiro para transformar pesquisa em produtos e experiências olfativas.
“Liderar uma categoria com a relevância que a perfumaria tem no Brasil exige olhar permanentemente para o futuro. Nosso objetivo é ampliar nossa capacidade de gerar conhecimento proprietário, interpretar movimentos do consumidor e transformar ciência e tecnologia em arte da perfumaria. Inovação, para nós, não acontece de forma isolada: ela nasce da conexão entre diferentes competências e precisa chegar de maneira concreta ao produto e à experiência do consumidor”, afirma Paulo Roseiro, Diretor Executivo da Categoria de Perfumaria do Grupo Boticário.
Da pesquisa de ingredientes à inteligência olfativa
Essa estratégia reúne diferentes competências desenvolvidas pelo Grupo ao longo de sua trajetória. Entre elas está o Projeto Quintana, inaugurado em 2022 e dividido entre Quintana Herbal e Quintana Lab. A estrutura trabalha com cerca de 50 espécies selecionadas por seu potencial olfativo e bioativo, permitindo estudar matérias-primas, métodos de extração e novas possibilidades de aplicação em produtos.
O trabalho se conecta a outras estruturas especializadas da companhia, como o Núcleo de Inteligência Olfativa (NIO), que reúne 13 avaliadores olfativos, além de profissionais de perfumaria, pesquisa e desenvolvimento. Mais do que avaliar fragrâncias, o núcleo participa da construção dos territórios criativos das marcas, da curadoria de propostas desenvolvidas com casas de fragrâncias e da manutenção de suas identidades olfativas.
A lógica é integrar competências que, isoladamente, também existem no mercado, mas que ganham uma nova dimensão quando combinadas: conhecimento profundo do consumidor brasileiro, pesquisa científica sobre percepção dos cheiros, estudos de comportamento, desenvolvimento de ingredientes e tecnologias, inteligência olfativa e capacidade de levar essas descobertas ao mercado em escala.
Quando a pesquisa chega ao frasco
Um dos exemplos mais recentes dessa estratégia é a Green In®, técnica desenvolvida para estudar as moléculas voláteis liberadas por flores enquanto elas permanecem vivas, sem a necessidade de colhê-las para o processo.
A captura dessas moléculas é combinada ao cultivo e à seleção de espécies, análises instrumentais e à interpretação de perfumistas e avaliadores olfativos. O objetivo é traduzir nuances da experiência olfativa das flores e transformá-las em acordes que possam ser aplicados à criação de fragrâncias. A tecnologia já saiu do ambiente de pesquisa e chegou ao consumidor: foi utilizada no desenvolvimento da nova assinatura olfativa de Floratta, a partir do encontro da rosa com a gardênia, aplicada em Floratta Rose Bouquet.
O caso se soma a outros processos desenvolvidos ao longo da trajetória da companhia. Em Boticário, por exemplo, com a enfleurage utilizada em Lily, o desenvolvimento do óleo essencial exclusivo de The Blend e, mais recentemente, diferentes técnicas empregadas em lançamentos como Lily Gardênia e Clash.
“Uma descoberta só ganha relevância quando conseguimos conectá-la a uma necessidade, a um comportamento ou a uma nova possibilidade criativa. Nosso trabalho é justamente fazer essa ponte: partir de uma pergunta científica, desenvolver conhecimento e encontrar maneiras de transformá-lo em fragrâncias que despertam desejo, identificação e novas experiências para o consumidor”, finaliza Roseiro.
Conhecimento brasileiro como diferencial competitivo
Além da tecnologia, um dos ativos centrais dessa estratégia é o conhecimento acumulado sobre a relação dos brasileiros com a perfumaria. Hábitos de aplicação, preferências por determinadas intensidades e assinaturas, clima, diversidade cultural e a relação afetiva do brasileiro com fragrâncias ajudam a orientar pesquisas e processos criativos.
Ao mesmo tempo, o Grupo mantém conexão permanente com alguns dos principais centros e profissionais da perfumaria internacional, combinando referências e excelência técnica globais com conhecimentos e códigos construídos a partir do Brasil.
A estratégia aponta para uma visão de inovação que vai além do lançamento de novidades pontuais. Ao integrar pesquisa, desenvolvimento de ingredientes, inteligência olfativa, criatividade e escala, o Grupo Boticário busca ampliar sua autonomia para criar soluções próprias e fortalecer sua capacidade de antecipar os próximos movimentos de uma categoria central para seu negócio.
Mais do que acompanhar o futuro da perfumaria, a ambição é contribuir para construí-lo a partir do Brasil.



